Parlamentares do Centrão, líderes do PL e o Governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) articulam uma possível anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ideia ganhou força em meio ao julgamento de Bolsonaro e outros sete réus no STF por suposta tentativa de golpe de Estado.
O ex-presidente, que está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, pode ser condenado a mais de 40 anos de prisão caso a Primeira Turma do STF o considere culpado.
Ainda assim, membros do Congresso intensificaram as negociações para que uma anistia seja votada logo após o julgamento. De acordo com a BBC, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que já existe maioria para pautar a proposta, e que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria sinalizado que o tema será discutido.
A articulação pela anistia
A articulação ganhou impulso com a saída de União Brasil e Progressistas da base do governo federal e com a atuação de Tarcísio, que chegou a declarar que, se eleito presidente, seu primeiro ato seria conceder perdão a Bolsonaro.
“Na hora. Primeiro ato. Primeiro ato seria esse. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado”, disse Tarcísio ao jornal Diário do Grande ABC.
O plano de anistia conta ainda com ajuda de outros nomes apoiadores de Bolsonaro. Além do governador de São Paulo, o pastor Silas Malafaia e líderes do PL no Congresso argumentam os detalhes da proposta com a família Bolsonaro e os interlocutores do ex-presidente junto à Casa Branca, dos Estados Unidos, e o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo.
Nas redes sociais, Figueiredo afirmou que apoia uma anistia, desde que ela seja “ampla e geral”.
“Agora que parece claro que haverá uma nova lei da anistia, é importante fazer um aviso: precisamos que ela seja AMPLA, GERAL e IRRESTRITA. Qualquer coisa que não atenda a esses critérios é perda de tempo e não contará com o nosso apoio. As pedradas dos EUA, portanto, continuarão vindo. Grato!”, escreveu.
Tarcísio de Freitas ainda cumpriu agenda em Brasília na última quarta-feira (3). O governador se encontrou com o presidente da Câmara para tratar do projeto de anistia. De acordo com a CNN Brasil, o encontro buscou avançar o texto no Congresso, que enfrenta resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O que diz a oposição
Apoiadores do governo Lula criticaram o movimento pela anistia. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, compartilhou em suas redes sociais que o projeto é “inacreditável”.
“O partido e deputado que se associar a esse projeto de anistia para livrar a cara de Bolsonaro está patrocinando um golpe parlamentar na democracia e nas instituições […] nós vamos à luta política para derrotar esse projeto de anistia”, falou em entrevista à jornalistas.

