O Ministro da Defesa, José Múcio, indicou que as Forças Armadas vão respeitar o veredito do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao julgamento da tentativa de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro de 2023.
A fala aconteceu na última sexta-feira (5), em entrevista a jornalistas, após uma reunião com comandantes e ex-comandantes da Marinha, Aeronáutica e Exército e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são da Agência Brasil.
“O lema das Forças Armadas é respeitar a decisão da Justiça. Esse assunto é um problema da Justiça e da política. As Forças Armadas são uma coisa diferente, servem ao país. Então, nós estamos conscientes de que tínhamos que passar por isso tudo, estamos serenos e aguardando o veredito da Justiça, que será cumprido”, disse.
O ministro também comentou que esse é um momento em que é necessário unir forças “para construir o país”. De acordo com ele, o tema do julgamento no STF não foi discutido durante a reunião com os comandantes das Forças Armadas.
Julgamento do golpe de Estado
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réusestão sendo julgados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) acusados pela trama dos atos golpistas do 8 de janeiro. As sessões começaram na última terça-feira (2) e continuam nesta terça (9), com julgamento previsto para ser concluído na sexta-feira (12).
No total, são esperadas 27 horas de análise de depoimentos e documentos pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
Na lista de acusados, além do ex-presidente, estão Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; Augusto Heleno, ex-ministro do GSI; Mauro Cid, ex-ajudante de ordens; Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, ambos generais da reserva e ex-ministros.
Como destacado nesta matéria do Brasilianista, os réus respondem pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Relembre os ataques do 8 de janeiro
Em de 8 de janeiro de 2023, poucos dias após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apoiadores de Bolsonaro atacaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
Os prédios do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e STF foram vandalizados e depredados, em manifestação à perda do ex-mandatário nas eleições presidenciais de 2022.
Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), os atos antidemocráticos foram o “desfecho violento”, o “resultado final da empreitada golpista”. As informações são G1.
Os atos causaram destruição de obras de arte e do patrimônio público brasileiro. Em dois anos de investigação, o STF responsabilizou mais de 890 pessoas pelos atos e condenou mais de 370 pessoas que incitaram ou praticaram os atos.

