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Justiça

Entenda as ações que culminaram na condenação de Bolsonaro pelo STF

O ex-presidente foi condenado por organização criminosa nesta quinta-feira (11)

Audiência de custódia de Bolsonaro deve acontecer neste domingo; saiba mais

A linha do tempo que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão e penas para outros sete réus no processo que apurou tentativa de golpe de Estado na última quinta-feira (11), começou muito antes de setembro de 2025.

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A Primeira Turma formou maioria para condenar Bolsonaro por todos os crimes imputados a ele. Os delitos foram: tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito; golpe de Estado; organização criminosa armada; dano qualificado contra patrimônio da União; e deterioração de patrimônio tombado.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, foi acompanhando por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. O ministro Luiz Fux votou pela absolvição. O placar final foi de 4 x 1.

Entenda a linha do tempo dos acontecimentos:

  • 1. Em 2019, o ministro do STF Dias Toffoli abriu inquérito para apurar a divulgação de notícias falsas, ofensas e ameaças contra integrantes da Corte e seus familiares. Alexandre de Moraes foi escolhido relator do caso.
  • 2. Em abril de 2020, apoiadores do então presidente eleitor Bolsonaro foram às ruas de Brasília pedindo intervenção militar. Eles pediam o fechamento do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e a reedição do AI-5, Ato Institucional mais duro da ditadura. Na época, no entanto, não houve invasão da Praça dos Três Poderes. A PGR solicitou abertura de um inquérito para apurar se os atos eram constitucionais. O STF acatou.

O país vivia a pandemia da covid-19, e as medidas de isolamento eram os tópicos de disputa.

  • 3. Em junho de 2020 o Plenário do STF concluiu o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 572 para declarar a legalidade e a constitucionalidade do Inquérito (INQ) 4781, que foi instaurado para investigar fake news e ataques e ameaças à ministros da Corte e seus familiares.
  • 4. Em julho de 2021, o ministro Alexandre de Moraes encerrou a investigação sobre os atos antidemocráticos e abriu o chamado inquérito das milícias digitais, que tinha objetivo de apurar quem produzia, divulgava e financiava o uso político da desinformação para atentar contra a democracia. Esta apuração culminou na delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, que também foi condenado na trama golpista.
  • 5. Também em julho de 2021, Bolsonaro fez uma live de duas horas com ataques às urnas, dizendo que era possível até “hackear” o código-fonte das urnas. A PGR afirmou de que o episódio, no entanto, “não se tratou de um desabafo, mas da execução de estratégia”.

A PGR apontou em sua denúncia que auxiliares foram orientados a desacreditar nas urnas. No mesmo mês, o então presidente, em encontro com embaixadores no Palácio do Alvorada, atacou ministros do STF, criticou o TSE, exaltou as Forças Armadas e repetiu teorias falsas sobre hackers.

  • 6. Em setembro daquele ano, Bolsonaro utilizou as manifestações de 7 de setembro para atacar o Supremo, com ameaças diretas ao ministro Alexandre de Moraes. “Ou se enquadra ou pede para sair”, disse o ex-presidente, como mostrou o G1. O vídeo desse momento foi transmitido por Moraes durante o julgamento.

No mesmo mês, o então presidente, em encontro com embaixadores no Palácio do Alvorada, atacou ministros do STF, criticou o TSE, exaltou as Forças Armadas e repetiu teorias falsas sobre hackers.

  • 7. Ainda quando presidente, em 2022, Bolsonaro participou de uma reunião a portas fechadas com ministros. À época, o ex-presidente disse que era preciso agir antes das eleições para evitar “guerrilha”.
  • 8. Já em outubro de 2022, no segundo turno das eleições, a PRF realizou operações de blitz em redutos petistas sob comando de Silvinei Vasques, atrasando transporte de eleitores. O ex-diretor foi preso e investigado.
  • 9. No fim daquele ano, após Lula ser eleito, a Polícia Federal identificou que grupos golpistas, conhecidos como “Punhal Verde e Amarelo” e “kids pretos”, planejavam desacreditar eleições, fomentar resistência e até assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. A PGR acusou Bolsonaro de ter conhecimento e endossado minuta de decreto golpista.
  • 10. Em janeiro de 2023, apoiadores bolsonaristas atacaram a Praça dos Três Poderes. Milhares de golpistas invadiram o Congresso, STF e Planalto. O STF já responsabiliza mais de 1.000 pessoas.
  • 11. O TSE declarou, em junho de 2023, o ex-presidente Bolsonaro inelegível por abuso de poder ao atacar urnas diante de embaixadores.
  • 12. No ano seguinte, início de 2024, a PF iniciou a investigação da organização criminosa golpista. O ministro Moraes mandou apreender o passaporte de Bolsonaro e proibiu contato com aliados.
  • 13. Em março de 2024, o ex-presidente Bolsonaro se tornou réu. O STF aceitou denúncia da PGR contra Bolsonaro e aliados por golpe de Estado, abolição violenta do Estado de Direito, organização criminosa e outros crimes.
  • 14. Nos meses de julho e agosto de 2025, o STF impôs tornozeleira eletrônica e proíbe uso de redes sociais. Após descumprimento por participar de uma live em manifestações, Moraes decretou prisão domiciliar de Bolsonaro.
  • 15. Neste mês, a Primeira Turma do STF começou e finalizou o julgamento do chamado núcleo central do plano golpista.