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Geopolítica

“Brasil teve sucesso onde a América falhou”, afirma New York Times sobre condenação de Bolsonaro

O jornal americano compara o acontecimento de 8 de janeiro ao ataque ao Capitólio nos Estados Unidos, em janeiro de 2021

“Brasil teve sucesso onde a América falhou”, afirma New York Times sobre condenação de Bolsonaro

Após uma semana de tensão no Brasil, com o julgamento que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado, o jornal americano The New York Times (NYT) fez uma análise comparando o tribunal do Brasil com o dos Estados Unidos.

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Segundo o NYT, o Supremo Tribunal Federal (STF) levou à Justiça um ex-presidente que atacou a democracia, procedimento que o Senado dos EUA e os tribunais federais americanos não fizeram.

Na última semana, em um acontecimento histórico no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado por golpe de Estado, junto com mais sete réus, que receberam penas parecidas.

Diferente do que aconteceu nos Estados Unidos, onde o atual presidente, Donald Trump, tentou anular uma eleição mas, como “consequência”, garantiu o que queria e foi enviado de volta para a Casa Branca ao invés da prisão, no Brasil, por 4 a 1, Bolsonaro se tornou o primeiro ex-presidente da história do país a cumprir pena na prisão por ataques golpistas.

Antes mesmo da condenação, quando o julgamento ainda estava em andamento, Donald Trump já demonstrava descontentamento com o cenário da política brasileira, o que o levou a impor tarifas altíssimas — chegando a 50% — em produtos brasileiros importados, para intimidar o Brasil desde o início de agosto. Além disso, Trump impôs sanções a funcionários do governo brasileiro e a ministros da Suprema Corte.

Para o The New York Times, o governo dos Estados Unidos quer punir os cidadãos brasileiros por terem feito o que o governo americano deveria ter feito, mas não fez: responsabilizar um ex-presidente por tentar anular uma eleição. No caso do Brasil, responsabilizar um ex-presidente por ter agido contra a democracia ao planejar um golpe de Estado.

Em 2020, Donald Trump se viu encurralado nas eleições presidenciais, em que sua maior rival era Kamala Harris, candidata apoiada pelo até então presidente dos EUA, Joe Biden. Nesse momento, Trump decidiu violar a regra fundamental da democracia e tentou anular os resultados da eleição, campanha que resultou no ataque ao Capitólio dos Estados Unidos, no dia 6 de janeiro de 2021.

Dois anos depois, algo parecido aconteceu no Brasil, quando, após perder as eleições presidenciais para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro tramou um ataque golpista à sede dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023.

Ameaças

Diante desse acontecimento, Trump e representantes do governo americano declararam o processo de condenação de Bolsonaro como uma “caça às bruxas”. Em um post realizado pelo secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, no X (antigo Twitter), é possível perceber a desaprovação do governo americano em relação à condenação do ex-presidente do Brasil.

“As perseguições políticas do violador de direitos humanos Alexandre de Moraes, sancionado, continuam, já que ele e outros membros do Supremo decidiram injustamente pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os Estados Unidos responderão de forma adequada a essa caça às bruxas”, disse o secretário.