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Política

Cappelli considera intervenção no Master como possível

Mais um capítulo da novela do Banco Master deve mostrar uma grande rede de corrupção no Distrito Federal

Grupo Fictor anuncia compra do Banco Master; entenda

A “novela” do Banco Master ainda não está encerrada — e está longe de acabar —, visto que o Banco de Brasília (BRB) adquiriu ativos duvidosos do banco digital nas operações preparatórias da aquisição impedida pelo Banco Central (BC).

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É o que afirma Ricardo Cappelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), ex-Ministro-Chefe interino do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República do Brasil e potencial candidato ao governo do Distrito Federal.

“Se o Master for liquidado pelo Banco Central, como ficarão estes ‘ativos’? Qual será o impacto na saúde financeira do BRB? Após a liquidação do Master, que providências serão tomadas pelos órgãos controladores? Essa novela está longe do fim e tem tudo para acabar na Polícia Federal”, comenta Cappelli, que já se manifestou sobre o assunto várias vezes nas redes sociais.

Ainda não se sabe o que vai acontecer com o Banco Master, mas há algumas possibilidades em vista. A operação estava em análise desde março e tinha forte respaldo político, mobilizando líderes do Centrão e despertando grande interesse do governo do Distrito Federal.

O banco brasiliense buscava aprovação da compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master, pelo valor de R$ 2 milhões. Caso aprovada, a medida ofereceria grande controle da instituição privada por uma estatal, que conquistaria espaço relevante na Faria Lima, recentemente envolvida em escândalos de corrupção.

Banco Master deve ser liquidado pelo BC

Segundo o Estadão, após o indeferimento do acordo de compra pelo BRB, sobram quatro saídas: intervenção, liquidação, oferta de compra dos ativos por um terceiro ou uma nova configuração da operação pelo BRB.

Para Cappelli, tudo indica que haverá a liquidação do Master pelo Banco Central e vê essa opção como único caminho, podendo revelar uma rede de relacionamentos obscuros entre o Master e seus “parceiros”.

“Se for verdade que o BRB comprou 11 bilhões em ‘ativos’ do Master que valem no máximo R$ 3 bilhões, como dizem setores do mercado, isso pode levar também à uma intervenção no BRB. O Banco não aguentaria um rombo desse tamanho”, pontua.

A intervenção e a liquidação extrajudicial são mecanismos usados pelo BC para enfrentar situações críticas em instituições financeiras.

No caso da intervenção, o banco tem suas atividades suspensas e é excluído do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Já a liquidação extrajudicial ocorre quando ainda há chances de recuperação da instituição.

Fato é que qualquer caminho levantaria questionamentos políticos e jurídicos. Uma intervenção, por exemplo, poderia reforçar dúvidas sobre por que o BC não agiu antes, permitindo que o banco operasse em condições precárias por tanto tempo. Já a liquidação abriria debate semelhante e poderia gerar forte repercussão no sistema financeiro.

Eleições em Brasília comprometidas

O presidente da ABDI afirma que a evolução dos fatos pode levar à quebra do BRB e questionamentos em relação à gestão de Ibaneis Rocha, atual governador do Distrito Federal. Vale lembrar que as eleições para governador acontecem em 2026.

“Como Ibaneis vai explicar que envolveu o Banco de Brasília num conjunto de operações que minaram a saúde financeira da instituição? O BRB não terá como esconder por muito tempo essa situação nos seus balanços”, reitera Cappelli.

Em sua visão, os fatos, na melhor das hipóteses, podem revelar uma “grave incompetência” na gestão do BRB, mas podem também trazer à tona uma grande rede de corrupção.

É evidente que o caso do Banco Master terá um impacto político forte durante as eleições de 2026. “Eu estou ansioso para vê-los explicar essa lambança no período eleitoral”, finaliza o ex-Ministro-Chefe da Segurança Institucional.