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Política

O Golpe Imaginário de Valdemar Costa Neto

O presidente do PL afirmou que houve um planejamento de golpe, mas recuou na fala após ser criticado por bolsonaristas

O elo entre Valdemar Costa Neto e Arthur Lira

Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), declarou no último sábado (13), durante o evento “Rocas Festival – Pista Central”, que houve um planejamento de golpe, mas nunca foi realizado, se referindo aos ataques do dia 8 de janeiro de 2023.

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A fala aconteceu após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros seis réus pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de trama de golpe de Estado. Na última segunda-feira (15), Costa Neto voltou a dar uma declaração, desta vez indicando que “nunca houve planejamento de golpe”.

No julgamento do STF, os réus responderam por tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito; organização criminosa armada; dano qualificado contra patrimônio da União; e deterioração de patrimônio tombado.

Valdemar desagradou bolsonaristas

O presidente do PL afirmou, no sábado, que “houve um planejamento de golpe, mas nunca teve o golpe efetivamente. No Brasil, a lei diz o seguinte: se você planejar um assassinato, planejou tudo, mas não fez nada, não tentou, não é crime. O golpe não foi crime.”

Ainda, segundo informações da CNN Brasil, ele comentou que a condenação de Bolsonaro era um “grande problema”, porém há a necessidade de respeitar uma decisão da Suprema Corte.

“O grande problema é o seguinte: o Supremo decidiu, nós temos que respeitar. Mas o Supremo só está fazendo isso porque tem apoio do governo, o Lula está do lado deles. Então, esse é o grande problema que nós enfrentamos”, afirmou.

A revelação causou indignação entre os bolsonaristas mais radicais, que avaliaram como um ato de deslealdade e também um indicativo de que o Centrão estaria se distanciando estrategicamente do ex-presidente. Isso porque precisam definir um novo candidato para representar a centro-direita nas eleições presidenciais de 2026. Um nome que pode estar na fila é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O recuo da narrativa de golpe

Confrontado com a repercussão negativa imediata, Valdemar tentou amenizar o impacto de suas palavras. Em entrevista à BandNews TV, na última segunda-feira (15), ele afirmou que se expressou mal.

“Nunca o Bolsonaro pensou nisso. Eu falei planejamento, eu errei, eu tinha que ter falado movimento. É um movimento desse pessoal, de muita gente que queria que a gente tomasse uma providência contra o Lula”, revelou.

Ele também reiterou sua lealdade ao ex-presidente e disse que seria fiel até o fim. “Enquanto eu estiver vivo, eu vou ser fiel ao Bolsonaro”, afirmou.

Contudo, o estrago político já havia se concretizado. O deslize do presidente do PL revelou um dilema estratégico da centro-direita do Brasil, que deve decidir entre manter a lealdade a Bolsonaro ou construir as bases para uma nova liderança presidencial em 2026.