O tempo em que o presidente da República comandava tudo sob um modelo conhecido como “hiperpresidencialista”, passou. No Brasil, governar requer um sistema político baseado na constante articulação entre Executivo e Legislativo. Nesse meio tempo, o chamado “centrão” se consolidou como peça-chave para o funcionamento do sistema democrático do Brasil.
Criado durante a Assembleia Nacional Constituinte, entre 1987 e 1988, o termo “centrão” chegou através de deputados e senadores de diversos partidos, que se organizaram em defesa de propostas específicas, principalmente em temas econômicos e administrativos.
O cientista político e advogado, Murillo de Aragão, colunista da Veja, afirma que: “Seja quem for o próximo presidente, negociar com o centrão ou com pedaços dele será parte da construção da governabilidade porque, mesmo com o fim das coligações legislativas e as barreiras de desempenho, ainda teremos significativa fragmentação partidária.”
Segundo Aragão, enquanto o PSL se mostra dividido, com um “pé lá e outro cá”, o PL, os Republicanos e o PP, permanecem alinhados com a base bolsonarista. Porém, a divisão do centrão deverá ser ainda maior conforme a chegada da pré-campanha eleitoral.
Segundo a CNN Brasil, PSD, MDB, PP, PL, Republicanos e União Brasil são os partidos que fazem parte do chamado “centrão”. Em números, esses partidos podem representar cerca de 200 e 280 deputados federais, constituindo força decisiva nas votações.
Como funciona?
Murillo de Aragão explica que o centrão é composto por duas vertentes: o pragmatismo governamental, que dá abertura para apoiar qualquer governo, independente da sua ideologia; e a negociação institucional, que procura por benefícios políticos e administrativos em troca de apoio no Congresso.
Além disso, distribuição de cargos no segundo e terceiro escalão da administração, destinação de emendas parlamentares, definição de prioridades orçamentárias e implementação de políticas públicas regionais estão entre as negociações do governo com o centrão.
Segundo Murillo, essa prática encontra paralelos em democracias consolidadas mundialmente. E no Brasil é conhecida como presidencialismo de coalizão.

