O primeiro semestre de 2025 mostrou desaceleração da produção industrial brasileira e diminui as expectativas de bons resultados ao final do segundo semestre. É o que indica o Boletim da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, sobre a Conjuntura Econômica do país.
Embora a indústria tenha registrado queda nos primeiros seis meses do ano, o ciclo sazonal da indústria
de transformação — aquela que transforma matéria-prima em produto ou intermediário — mostra uma recuperação em andamento que deve durar, pelo menos, até outubro. A expectativa é de que essa recuperação gere um aumento da produção industrial entre 1,5% e 1,8% até o final do ano.
A indústria de bens de consumo duráveis foi o destaque entre as categorias industriais, representando 8,3% da produção do semestre. Por outro lado, a indústria de bens de consumo não-duráveis apresentou queda de 1,3% da produção.
Além disso, o volume de serviços aumentou pela quinta vez consecutiva em junho de 2025, subindo a receita total do setor em 7,5% nos últimos 12 meses. Por sua vez, o comércio ficou praticamente estável e com o terceiro resultado negativo seguido em junho.
No entanto, a receita nominal do comércio entre indústrias cresceu 6,5% nos 12 meses, com destaque de vendas para combustíveis e lubrificantes (0,3%) e vestuário e calçados (0,5%), enquanto equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-2,7%) e móveis e eletrodomésticos (-1,2%) foram destaque negativo.
Investimentos, balança comercial e mercado de trabalho
A decisão de manter a Selic — principal taxa de juros da economia — em 15% ao anoimpactou negativamente as decisões empresariais de investimento. A taxa de investimento, seguindo sua sazonalidade, caiu no segundo trimestre do ano para 16,8%.
Já os impactos do tarifaço de 50% sobre importações brasileiras aos Estados Unidos também se mostraram presentes e relevantes no período analisado. O boletim afirma que o déficit em Transações Correntes, nos primeiros setes meses de 2025, alcançou US$ 40 bilhões, frente a US$ 22 bilhões no mesmo período de 2024.
O saldo positivo da balança comercial caiu 26,9%, acompanhando o aumento das importações (7,6%), puxadas por compras de produtos chineses (+20%) e dos EUA (+12,6%). Ainda assim, as exportações se mantiveram estáveis.
Por sua vez, o mercado de trabalho brasileiro mostrou queda na taxa de desocupação, que esteve no menor valor desde 2012 em junho deste ano (5,8%). No mercado formal, o saldo da geração de empregos criou 130 mil novos postos em julho deste ano, separados em:
- 23 mil cargos na indústria de transformação;
- 9 mil na agricultura, pecuária e pesca; e
- 50 mil em serviços.
Já a taxa de trabalho informal foi de 37,8%, também uma das menores observadas desde 2015, bem como a taxa de subocupação (4,5%). O boletim afirma ainda que o rendimento médio mensal real dos trabalhadores informais alcançou R$ 3.477,00 no período.
Avaliação econômica e expectativas
As previsões para a economia brasileira pouco mudaram desde janeiro, de acordo com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. O Ministério da Fazenda elevou sua projeção de crescimento do PIB de 2,3% para 2,5%, mas os impactos da taxa Selic em alta e fraco desempenho da indústria da transformação devem diminuir a contribuição do setor fabril para o PIB de 2025, mas compensado pela resiliência do setor de serviços.
“A produção de máquinas e equipamentos para outras atividades econômicas indica, novamente, a desaceleração da economia e da indústria de transformação brasileira, com repercussões no crescimento da renda nacional e na geração de empregos de qualidade”, projeta o documento.
A ABDI prossegue, indicando que o impacto da Selic “restringe demasiadamente” os financiamentos, retira renda das famílias e adia a demanda de bens e serviços que dependem de crédito. Somado ao crescente endividamento dos consumidores, a informalidade e baixa produtividade do mercado de trabalho persistirá.
Por fim, o resultado em transações correntes é o mais preocupante. “Os números apontam para problemas de competitividade e de diversificação da cadeia produtiva, visto a dificuldade de emplacar maiores exportações e a dependência estrutural de produtos dotados de maior conteúdo tecnológico”, mostra o documento.
A ABDI sinaliza que esse resultado pode influenciar na permanência de déficits constantes e persistentes em transações no curto e médio prazos, podendo ser agravados por meio de movimentos cambiais e tarifários.

