O Banco Central divulgou na última terça-feira (30) as Estatísticas Fiscais, com déficit em todas as esferas do governo. Em agosto, o saldo negativo foi de R$ 17,3 bilhões, uma redução em relação ao ano anterior, quando as contas do setor público (despesas menos receitas) foram de R$ 21,4 bilhões negativos, segundo dados divulgados pela Agência Brasil.
No acumulado do ano – de janeiro a agosto de 2025 -, o resultado foi de R$ 61,7 bilhões negativos. No mesmo período no ano passado, esse acumulado já chegava a um déficit de R$ 86,2 bilhões.
Na relação de 12 meses, encerrados em agosto, as contas representam 0,19% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país), acumulando um saldo negativo de R$ 23,123 bilhões.
O que isso quer dizer?
As Estatísticas Fiscais divulgadas pelo Banco Central do Brasil (BC) são um conjunto de indicadores que permitem avaliar o cenário da saúde das contas públicas do país. A partir desses dados é possível analisar as arrecadações versus gastos do governo, como está a dívida pública e como está a economia.
O resultado primário é a diferença entre as arrecadações do governo (impostos, contribuições, royalties) e os gastos (salários, aposentadorias, programas sociais, investimentos…), sem contar os juros da dívida. Em agosto, esse resultado teve um déficit de R$ 17,3 bilhões, o que quer dizer que o governo gastou mais que arrecadou, e portanto, precisaria de recursos extras para fechar as contas.
Apesar do resultado negativo, os índices apresentam uma melhora em relação ao ano anterior, quando os déficits eram maiores, o que demonstra uma melhora na saúde das contas públicas.
De onde vem esse déficit?
Os dados repercutidos pela Agência Brasil dividem a origem do déficit pelas esferas de governo, que compõem o setor público.
De acordo com esses dados, a União (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) teve déficit de R$ 15,9 bilhões em agosto de 2025. O montante difere do resultado divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Tesouro Nacional, de déficit de R$ 15,6 bilhões, porque o BC usa uma metodologia diferente, que leva em conta a variação da dívida dos entes públicos, destacou a Agência.
Já nos Governos Regionais (inclui estados e municípios), os resultados foram de R$ 1,3 bilhão negativo no mês, ante superávit de R$ 435 milhões no mesmo período do ano anterior.
Por fim, as empresas estatais (federais, estaduais e municipais) – exceto as dos grupos Petrobras e Eletrobras -, representaram um déficit de R$ 6 milhões em agosto.
E o juros?
Os dados apresentados anteriormente, desconsideram os juros das despesas, que em agosto foram de R$ 74,2 bilhões, ante R$ 68,9 bilhões no ano anterior. O Banco Central explica que a despesa com juros costuma variar pouco, especialmente para baixo, uma vez que são calculadas mensalmente, por competência.
Contudo, devido ao cenário político atual e a alta variação da taxa de câmbio (valor do real em relação ao dólar estadunidense) o Banco Central achou necessário a realização de algumas intervenções, como o Swap Cambial, que é quando o órgão vende dólares de suas reservas para o mercado futuro.
A lógica é a seguinte: quanto mais dólar no mercado, menos valor ele tem. Sendo assim, essas operações tem como objetivo desvalorizar o valor do dólar e, consequentemente, estabilizar o valor da moeda local. Crises políticas tendem a movimentar o mercado de investimentos, como a Bolsa de Valores, e também o câmbio das moedas, forçando essas intervenções. Para entender por que isso acontece, leia aqui.
Na competência atual (agosto/2025), as operações de swap geraram R$ 19,9 bilhões, ajudando a reduzir os juros pagos. Sem eles, a despesa de juros teriam subido R$ 23,5 bilhões em comparação com o ano anterior, refletindo o aumento da Selic – taxa básica de juros – e o crescimento da dívida.
Mas afinal, o Brasil está endividado?
A dívida líquida do setor público é a soma de tudo o que a União, estados e municípios devem, menos os créditos/ativos que possuem, que podem ser considerados um tipo de reserva para o abatimento da dívida.
Em agosto, esse valor foi de R$ 7,969 trilhões, 64,2% do PIB. No mês anterior, em julho, o percentual da dívida líquida representava 63,6% do PIB, ou R$ 7,8 trilhões.
Esse crescimento ocorreu devido ao déficit nominal do mês, aos juros nominais apropriados, citados anteriormente, e à variação cambial de 3,1% em agosto, que é a desvalorização do real em relação ao dólar, e representam uma dívida.
No calculo da dívida bruta (DBGG), é considerado apenas os passivos, ou seja, os ativos serão desconsiderados. Essa, em agosto de 2025 chegou a R$ 9,6 trilhões, equivalente a 77,5% do PIB, sem variação percentual em relação à julho, em R$ 9,5 trilhões. Essa métrica é utilizada para comparar internacionalmente se um país é pouco ou muito endividado.

