Em nova etapa de investigações, a CPMI do INSS ouve nesta segunda-feira (06), às 16h, o empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, ex-sócio do advogado Nelson Wilians, já ouvido anteriormente. A oitiva tem como objetivo esclarecer o papel do empresário no esquema de fraudes bilionárias.
A convocação de Cavalcanti foi aprovada em quatro requerimentos de convocação aprovados pela comissão, o que torna sua presença obrigatória, segundo a Agência Senado. Ele já havia sido alvo da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, em setembro, quando teve diversos bens apreendidos. Ele nega qualquer relação com as fraudes e afirmou não mais integrar o escritório Nelson Wilians Advogados.
No que se atentar no depoimento?
Durante a sessão, parlamentares esperam explorar os vínculos entre Cavalcanti, Nelson Wilians e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais beneficiários do esquema de fraudes no INSS, segundo apuração da CNN. Em respectivos depoimentos, Wilians e Antunes negaram envolvimento nos crimes contra pensionistas e aposentados, entenda aqui.
Em setembro, durante as buscas da Operação Sem Desconto, a PF apreendeu três carros luxuosos registrados em nome da empresa FAC Negócios, ligada a Fernando Cavalcanti. Deputados e senadores apontaram a presença de uma “grande soma” em dinheiro e relógios na apreensão, em oitiva do advogado Nelson Wilian, conforme divulgado pela Veja.
O empresário teve quebra de sigilo bancário e fiscal aprovado na semana passada (02). Também foi solicitado o envio de relatório de inteligência financeira de Cavalcanti, entre 23 de setembro de 2020 a 23 de setembro de 2025, solicitado ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), diz a CNN.
A investigação
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) foi instalada com o objetivo de investigar o esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios do INSS, denunciado em abril de 2025. A estimativa é de que R$ 6,3 bilhões tenham sido desviados entre os anos de 2019 e 2024.
A comissão já superou em número de requerimentos a CPI da Pandemia, com mais de 1.578 pedidos formulados até agora, afirmou a CNN. Até o momento, o Supremo Tribunal Federal (STF) já aprovou a prisão preventiva de 21 investigados apontados como envolvidos nas fraudes, segundo a Agência Senado.

