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Cuidado com o homem

Nos bastidores do Supremo, gestos, silêncios e recados revelam disputas e estratégias que dizem mais que as palavras

Cuidado com o homem

Carioca, primeiro da turma na UERJ e faixa-coral de jiu-jítsu, Luiz Fux é o tipo que não dá ponto sem nó — nem voto sem leitura prévia. Analisa cada processo como quem prepara um golpe certeiro no tatame. Amável no trato, rigoroso no voto e com a autoconfiança de quem sabe o que está fazendo. E, ao contrário do que muitos esperavam, em vez de se afastar de Gilmar Mendes, preferiu ir para a sua turma no STF. Brasília é assim: quem evita o confronto às vezes prefere manter o adversário à vista.

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Confusões periódicas

Quem acompanha o Supremo sabe que o drama é recorrente. Rodrigo Janot, por exemplo, já apareceu armado querendo resolver um agravo à moda antiga. Desde então, qualquer tensão interna é tratada como “pequeno incidente”. No STF, o inusitado usa crachá e toga e percorre silenciosamente corredores e gabinetes.

Back to basics

O presidente do STF, Edson Fachin, em palestra no IDP em Brasília, mandou seu recado: o Judiciário precisa “voltar ao básico” diante da “crise global”. Segundo ele, o básico é defender a institucionalidade, a segurança jurídica e o diálogo racional. Traduzindo do juridiquês: menos pirotecnia, mais compostura. A mensagem circulou como quem deixa um bilhete na mesa dos colegas — com endereços certos e destinatários conhecidos.

Recado com CEP

Fachin, que prefere latim a lacração, tenta lembrar à Corte que toga não é figurino de talk show. Em Brasília, quando um ministro fala para todos, costuma estar falando para alguém.

Silêncio eloquente

Depois dos recados públicos, o clima no Supremo ficou em compasso de espera. Entre votos, seminários e egos, o silêncio dos ministros fala mais alto do que qualquer nota oficial. No STF, até o silêncio é performático — e costuma durar até a próxima crise.