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Geopolítica

China está vencendo guerra comercial com os EUA, diz The Economist

Revista britânica analisa como Pequim resistiu às sanções americanas e redefiniu as regras do comércio global

China está vencendo guerra comercial com os EUA, diz The Economist

A revista britânica The Economist publicou um artigo, na quinta-feira (23), que afirma que a China está, neste momento, vencendo a guerra comercial contra os Estados Unidos. A publicação acontece em meio a uma das fases mais tensas das relações sino-americanas desde a Guerra Fria.

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Segundo o jornal, o conflito, que começou há anos como uma disputa de tarifas e sanções, evoluiu para uma batalha global por poder econômico e tecnológico e, na avaliação editorial, Pequim parece estar um passo à frente.

A publicação considera que a estratégia americana de coerção econômica perdeu força, enquanto a China mostrou capacidade de resistência, retaliação e adaptação. A análise destaca que, “depois de seis meses, a China respira mais aliviada do que a América, por três razões”.

Tensões

Ao contrário do que previa os EUA, a economia da China suportou bem as pressões impostas por Donald Trump. Neste contexto, o governo norte-americano ampliou tarifas, restringiu exportações de tecnologia e ameaçou embargos quase totais, no entanto, recuou em vários momentos por temer impactos internos.

O The Economist cita que, após a China impor limites às exportações de terras raras (minerais essenciais para a indústria tecnológica), Trump chegou a ameaçar tarifas de 100%, mas voltou atrás diante do pânico em Wall Street.

Enquanto isso, a bolsa chinesa subiu 34% em 2025 (em dólares), o dobro do crescimento do índice S&P 500 americano. Pequim também aprendeu a retaliar com precisão: impôs tarifas a navios de carga americanos, como noticiou OBrasilianista, abriu investigações antitruste contra gigantes como Google e Nvidia e reduziu drasticamente a compra de soja dos EUA.

Riscos e consequências

Ainda assim, The Economist alerta que o caminho chinês não está livre de armadilhas. De acordo com a publicação, o controle em excesso e a criação de sistemas paralelos de comércio podem gerar entraves burocráticos e afastar parceiros.

“Muita coisa ainda pode dar errado para a China. Redirecionar as exportações para longe dos Estados Unidos pode levar mais países a impor tarifas. Seu incipiente regime de licenciamento pode criar um pesadelo burocrático para si e para outros”, diz um trecho.

No entanto, o editorial avalia que, mesmo com isso, os Estados Unidos estão descobrindo que usar o poder econômico como um instrumento é arriscado.

“O incentivo para que outros países diversifiquem e inovem para reduzir sua dependência de você cresce rapidamente”, escreveram.

Encontro pendente

Trump e Xi Jinping devem se encontrar na Coreia do Sul na próxima semana, mas o clima é de desconfiança. O The Economist avalia que o possível encontro não representará uma reconciliação, mas sim uma trégua momentânea.

“Poderia haver uma pausa nas tarifas americanas em troca de um atraso na imposição dos controles de terras raras, com algumas compras de soja incluídas e a aprovação do acordo proposto para vender o TikTok, uma plataforma de mídia social controlada pela China, para proprietários americanos”, afirmaram.