O Conselho Nacional de Justiça passará por muitas mudanças em sua composição. Além da troca na presidência do órgão, após Edson Fachin substituir Luís Roberto Barroso no começo deste mês, cinco conselheiros não serão reconduzidos.
A conselheira Renata Gil, que encerra seu primeiro mandato em fevereiro de 2026, não será reconduzida. O lugar dela deverá ser ocupado por Fábio Esteves, que foi seu vice-presidente na Associação dos Magistrados do Brasil.
Renata Gil chegou ao CNJ com apoio do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e da bancada fluminense do Judiciário. A magistrada é servidora de carreira do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e foi indicada ao conselho numa das vagas destinadas ao STF.
O conselheiro José Rotondano também não será reconduzido. Desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia, ele foi indicado pelo STF em 2024. A vaga que deixará no começo de 2026 será ocupada por Jaceguara Dantas da Silva, desembargadora do TJ de Mato Grosso do Sul.
Mônica Nobre, desembargadora do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, também não será reconduzida. Ela chegou ao posto com apoio de Luís Felipe Salomão, ministro do Superior Tribunal de Justiça e ex-corregedor Nacional de Justiça. Nobre integrou a equipe de Salomão na corregedoria.
Daniela Madeira, que também tornou-se conselheira com apoio de Salomão após integrar a equipe do ministro na corregedoria do CNJ, também não será reconduzida. Ainda não estão definidos os nomes que substituirão Nobre e Madeira. Ambas foram indicadas nas vagas destinadas ao STJ.
Pablo Coutinho, conselheiro na vaga destinada à PGR, encerra seu mandato neste mês. Será substituído por Silvio Roberto Oliveira de Amorim Junior, do Ministério Público Federal. Seu nome foi aprovado pelo Senado em agosto deste ano. Antes do CNJ, ele atuava pelo MPF no Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
A única recondução garantida é a de Daiane Nogueira de Lira, indicada conselheira do CNJ pela Câmara dos Deputados durante a presidência de Arthur Lira. Além do apoio do deputado alagoano, Nogueira contou com a força politica de Dias Toffoli, de quem foi chefe de gabinete no STF. No novo ciclo, a conselheira também ganhou o apoio de Hugo Motta, atual presidente da Câmara que é próximo de seu antecessor no cargo.
O xadrez político
A não recondução de Rotondano é creditada à crise de gestão e de imagem do TJBA, que enfrenta denúncias de corrupção de avalições negativas sobre o trabalho prestado à população baiana. Antes de integrar o CNJ, foi corregedor do tribunal estadual.
Já o fim das trajetórias de Madeira e Nobre são creditados à falta de proximidade entre Salomão e Fachin. A saída de ambas poderá impactar a atuação de Mauro Campbell na corregedoria Nacional de Justiça. Campbell, que também é ministro do STJ, é próximo de Salomão, a quem substituiu como corregedor do CNJ.
O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.

