O Brasil pode comandar o início da produção de biocombustíveis para navios e aviões muito em breve, focando na descarbonização da frota. Segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, do Grupo Estado, essa mensagem deve ser reforçada na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30).
Faltando exatas duas semanas para a COP30, essa pauta tentará dialogar com a decisão da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) de adiar por um ano a definição de metas globais obrigatórias de descarbonização do transporte marítimo.
A postergação desse sistema ocorreu após a falta de consenso entre os membros da organização e uma forte oposição dos Estados Unidos.
De acordo com o Broadcast, esse seria o primeiro sistema global de precificação de carbono do transporte marítimo, previsto no Marco Net-Zero, exigindo que os navios pagassem taxas pelo descumprimento das metas com projeções de gerar financiamento de até US$ 15 bilhões — ou R$ 80,6 bilhões — por ano a partir de 2030.
Brasil pode liderar o uso de biocombustíveis em navios
O Brasil possui uma mistura de vantagens naturais, industriais e tecnológicas que pode liderar boa parte do mercado global de energia limpa, de acordo com um estudo da Boston Consulting Group (BCG). Além disso, o país é o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis e possui posição estratégica da indústria para sustentar até 15% da demanda global de energia verde para navegação.
Ainda, os especialistas revelaram que a representação brasileira na IMO defende que os biocombustíveis de primeira geração podem ser uma substituição válida ao combustível atualmente utilizado. O Brasil já vem mostrando as evidências da capacidade de abastecimento com soluções mais sustentáveis em diferentes fóruns, como o G20 e Brics, ambos eventos que o país sediou, além da Pré-COP.
No entanto, os biocombustíveis nacionais enfrentam resistência europeia. O continente prioriza amônia verde, hidrogênio e metanol como substitutos do combustível fóssil.
Para que o Brasil se concretize como líder desse setor, o IMO precisará definir suas regulamentações e incentivos, o que deve ser reforçado na COP30.

