O ex-ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, afirmou em entrevista ao programa Ponto de Vista, da revista VEJA, que Jair Bolsonaro se tornou um passivo político para a direita brasileira. Segundo ele, após a condenação, o ex-presidente se tornou “uma pessoa atrapalhada, sem rumo na política“.
“Trump deve ter compreendido que Bolsonaro é carta fora do baralho da política brasileira”, destaca Nunes.
Oposição enfraquecida
Aloysio Nunes, que foi chanceler durante o governo Michel Temer, destacou que o bolsonarismo ainda possui núcleos de militância organizados, mas carece de liderança estratégica. Ele reflete sobre a dificuldade da direita conservadora em se desvincular da figura do ex-presidente que, do ponto de vista dele, perdeu força:
“Bolsonaro é apenas uma hipoteca que a direita brasileira não consegue resgatar e que pesa sobre seus destinos. Quando a direita tiver coragem de dizer isso claramente, poderá voltar a ser uma opção política no futuro. Por enquanto, não… o Brasil precisa de uma oposição forte, racional e institucional. Mas, enquanto essa direita continuar refém do bolsonarismo, continuará fora do jogo”, concluiu.
A fala de Aloysio reflete uma leitura mais ampla acerca do esvaziamento gradual da influência de Bolsonaro sobre o campo conservador. O ex-presidente enfrenta restrições jurídicas e isolamento internacional, o que limita sua capacidade de articulação eleitoral.
O jornal Correio Braziliense, destacou em reportagem que a direita encontra-se divida conforme Bolsonaro perde a força. Segundo o jornal, Eduardo Bolsonaro, filho de Jair, têm causado desgaste na oposição, dividindo o partido e sabotando possíveis nomes de candidaturas, com a de Tarcísio de Freitas, Governador de São Paulo, e até então, um dos nomes favoritos dentre os conservadores.
Postura de Lula é elogiada
Durante a entrevista, Aloysio Nunes também comentou as negociações recentes entre o presidente Lula e Donald Trump sobre o chamado “tarifaço”. O ex-ministro avaliou que o governo brasileiro agiu com prudência e responsabilidade, buscando o diálogo para evitar prejuízos comerciais.
“O presidente Lula foi tratado com respeito, conduziu-se com serenidade e fez o que tinha que fazer”, afirmou Aloysio.
Segundo ele, a reação do governo foi técnica e diplomática, reconhecendo os limites da conjuntura internacional. Aloysio observou que nenhum país, nem mesmo os europeus, conseguiu a suspensão imediata das tarifas impostas por Trump, e destacou que o mais relevante agora é a abertura de uma negociação de longo prazo que poderá envolver outros temas políticos e econômicos bilaterais.
Os efeitos dessas negociações tendem a fortalecer Lula na corrida eleitoral para 2026, a qual o atual presidente segue como favorito.

