Os Estados Unidos não participarão da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém (PA). De acordo com informações confirmadas pela Casa Branca à agência AFP e também divulgadas pela Reuters, o governo americano optou por não enviar representantes de alto nível nem delegações técnicas ao evento.
Segundo o G1, um funcionário da Casa Branca afirmou que “o presidente Donald Trump já deixou claras as posições de seu governo sobre a ação climática multilateral”. A ausência do país, portanto, reflete a postura já conhecida do atual governo em relação às políticas ambientais e à cooperação internacional sobre o tema.
Posição do governo Trump sobre o clima
Na Assembleia Geral da ONU realizada no mês passado, Trump voltou a classificar as mudanças climáticas como “a maior farsa do mundo”, criticando duramente as medidas ambientais adotadas por outras nações. O presidente também voltou a defender o uso do carvão, uma das fontes mais poluentes, e atacou iniciativas voltadas à energia renovável.
Um representante da Casa Branca destacou por e-mail que “o presidente está dialogando diretamente com líderes de todo o mundo sobre questões energéticas, como mostram os acordos comerciais e de paz recentes, com foco em parcerias na área de energia”.
Essa visão contrasta com a de grande parte dos países que participarão da COP30, os quais têm buscado acelerar a transição energética e adotar metas mais ambiciosas para conter o aquecimento global.
Impactos da ausência americana na COP30
A cúpula de líderes da COP30 está marcada para os dias 06 e 07 de novembro, e as negociações técnicas devem começar no dia 10. Havia expectativa de que, mesmo sem a presença de Trump, o país enviasse representantes para essas discussões, o que acabou não se confirmando.
De acordo com analistas ouvidos pela agência AFP, a ausência dos Estados Unidos pode, paradoxalmente, facilitar o avanço das negociações. Como a conferência funciona por consenso entre os países, a participação do governo americano poderia travar acordos sobre temas sensíveis, como metas de redução de emissões e financiamento climático.
Ainda segundo especialistas, a falta de uma delegação norte-americana pode abrir espaço para que outras nações proponham medidas mais ousadas, especialmente nas áreas de transição energética, compensações por perdas e danos e investimentos em sustentabilidade.
Repercussões diplomáticas e políticas
A decisão ocorre mesmo após o convite feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentou aproximar-se politicamente do governo Trump em meio a diálogos internacionais recentes. Apesar disso, a postura dos Estados Unidos confirma o distanciamento em relação às pautas ambientais multilaterais e sinaliza que o país deve continuar priorizando acordos bilaterais voltados à energia.
A COP30 será um dos maiores eventos internacionais já realizados na Amazônia e deve reunir líderes de quase 200 países.

