A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, nesta terça-feira (4), no Congresso Nacional, trouxe à tona não apenas a tensão política entre governo e oposição, mas também o peso econômico da criminalidade sobre o país. Estimativas recentes apontam que o Brasil perde até 11% do PIB por ano, mais de R$ 1 trilhão, com os efeitos diretos e indiretos da violência.
O colegiado será presidido pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), ex-delegado da Polícia Civil e professor de Direito, conhecido por sua atuação em pautas de segurança pública. A comissão deve investigar a estrutura, a expansão e o funcionamento de facções criminosas e milícias em todo o território nacional.
Enquanto o Congresso busca investigar as raízes do crime organizado, os números revelam que a insegurança pública se tornou um freio estrutural ao crescimento econômico.
Relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que os custos da criminalidade na América Latina correspondem a 3,4% do PIB regional, no Brasil, o impacto é mais que o triplo. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o país perde R$ 1 trilhão por ano, considerando gastos públicos com segurança, saúde e sistema prisional, além de custos privados com seguros, vigilância e paralisação de atividades.
Além das perdas diretas, a criminalidade afeta o ambiente de negócios e encarece a produção. Segundo o Sindicato das Seguradoras, empresas gastam o equivalente a 1,7% do PIB, cerca de R$ 170 bilhões anuais, apenas com segurança privada. Multinacionais incluem o risco da violência no cálculo de investimento e, muitas vezes, optam por países vizinhos com maior estabilidade.
CPI
Durante a sessão de instalação, parlamentares da oposição questionaram uma possível “blindagem” nas investigações, diante do comando petista da CPMI. Contarato, porém, rebateu as críticas: “Não irei blindar ninguém. Não tenham dúvida da minha consciência e do meu freio ético”, afirmou o senador. Apesar de integrar a bancada do PT, Contarato tem mantido uma postura autônoma dentro da base governista, chegou a apoiar a abertura da CPMI do INSS, contrariando aliados.

