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Política

Câmara aprova regulação do streaming, mas “gatonet” segue como desafio bilionário

Projeto cria novas regras para plataformas digitais e amplia arrecadação do setor, enquanto pirataria movimenta bilhão fora do alcance do Estado

Câmara aprova regulação do streaming, mas “gatonet” segue como desafio bilionário

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A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (4), o projeto que regulamenta os serviços de streaming no Brasil. A proposta estabelece regras de funcionamento, contribuições e cotas de conteúdo nacional para plataformas como Netflix, Disney+ e Amazon Prime Video. A medida é considerada um avanço para o setor audiovisual e para a política tributária voltada à economia digital, ao incluir os serviços sob demanda na estrutura de arrecadação do país.

Mas, enquanto o Congresso formaliza o mercado, uma economia paralela continua a crescer fora do alcance do Estado. Estimativas da Alianza Contra la Piratería Audiovisual apontam que o mercado ilegal de streaming, o popular “gatonet”, já soma mais de 6 milhões de usuários no Brasil e movimenta cerca de US$ 200 milhões por ano.

A dimensão do problema ficou evidente após uma operação policial em Buenos Aires desarticular uma rede de serviços clandestinos voltada principalmente ao público brasileiro. A investigação revelou a natureza transnacional desse tipo de atividade, com servidores em outros países e receita concentrada no Brasil.

O Projeto

O texto aprovado pela Câmara atribui à Ancine (Agência Nacional do Cinema) a responsabilidade de regular e fiscalizar as plataformas e cria uma nova modalidade da Condecine, contribuição que incidirá progressivamente sobre a receita bruta anual, variando de 0% a 4%, conforme o faturamento. Parte dos recursos arrecadados será destinada a produtoras regionais e independentes, com o objetivo de descentralizar investimentos no setor audiovisual.

De autoria do ministro Paulo Teixeira (PT-SP) e relatado pelo deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), o projeto busca corrigir uma assimetria regulatória: até então, plataformas de streaming que operam no país não estavam sujeitas às mesmas obrigações de investimento e tributação aplicadas à TV por assinatura.