O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reuniu nas última terça (04) e quarta-feira (05) e decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano na penúltima reunião de 2025. A decisão, segundo avaliação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), foi acertada diante das condições atuais da economia brasileira.
Ata deve ser divulgada na próxima terça-feira (11), conforme calendário do BC.
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) caiu para 5,17% no acumulado de 12 meses até setembro, resultado ainda supera o teto da meta, fixado em 4,5%. Esse cenário, somado ao fiscal atual, segundo a Federação, ainda não oferece espaço seguro para cortes, apesar da expectativa do mercado para corte da Selic.
De acordo com a FecomercioSP, a inflação de serviços permanece pressionada, somando 6,14% no período, muito em razão do mercado de trabalho, que estimula a renda média familiar e, consequentemente o consumo.
A Federação destaca ainda os resultados da capacidade instalada da indústria, que atingiu 81% em setembro, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), um nível considerado alto mas indica uma economia próxima do limite. Nesse contexto, qualquer aumento de demanda tende a gerar inflação, e não crescimento econômico.
Outro fator que pesa sobre a decisão é a incerteza fiscal. A FecomercioSP ressalta: “A falta de um compromisso claro do governo com o controle dos gastos públicos, somada às metas de resultado primário em questionamento, ao aumento das despesas obrigatórias e a um orçamento de 2026 em total descrédito, faz com que o mercado não tenha outra opção senão precificar esse risco. A taxa Selic é apenas um reflexo disso”.
Para a entidade, reduzir os juros agora seria um movimento precipitado. Apesar da desaceleração da inflação, o núcleo dos preços continua elevado, e as incertezas fiscais e econômicas ainda são significativas.
“Juros altos pressionam o orçamento das famílias, travam a atividade econômica e encarecem o crédito —, por outro lado, é apenas dessa forma que o Banco Central conseguirá recolocar os preços nos trilhos, mantendo-os dentro do intervalo da meta no futuro próximo. Essa é, agora, a prioridade”, avalia a FecomercioSP.
A decisão do Copom, portanto, reflete a prioridade atual do Banco Central: controlar a inflação e preservar a credibilidade da política monetária, mesmo diante das pressões por uma retomada mais rápida do crescimento.

