Em entrevista ao Estadão/Broadcast, a ministra Gleisi Hoffmann afirmou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, “deixou a desejar” ao não reduzir a taxa Selic, mantida em 15% pela terceira vez consecutiva.
Segundo ela, o BC estaria “mais realista do que o rei”, ignorando indicadores econômicos positivos e insistindo numa política monetária “autopunitiva”.
A declaração foi recebida com ironia e frieza pelo mercado financeiro. Analistas avaliam que o comentário revela desconhecimento sobre a política monetária e desconexão entre a visão política e a realidade econômica, reforçando a percepção de que o governo tenta submeter a autoridade monetária a objetivos de curto prazo.
De fato, há um inconformismo crescente no núcleo duro do governo em relação à autonomia do Banco Central. Quando o nome de Galípolo foi indicado, esperava-se — segundo fonte palaciana — que ele atuasse como um ministro do STF indicado por Lula, com lealdade política ao presidente.
Gleisi também abordou outros temas, como a reforma administrativa, que considerou “difícil” de aprovar até 2026, e a relação com o Congresso, ao reconhecer que o apoio parlamentar continua atrelado à liberação de emendas.

