O governo de Nicolás Maduro está se preparando para uma eventual ofensiva militar dos Estados Unidos com uma estratégia de resistência no estilo guerrilheiro e ações de “anarquia” nas ruas da Venezuela, segundo informações divulgadas pela agência Reuters.
De acordo com documentos do governo venezuelano obtidos pela agência, o plano inclui a mobilização de equipamentos militares soviéticos e a dispersão de unidades do Exército em diferentes regiões do país, com o objetivo de dificultar ataques aéreos ou terrestres. Fontes consultadas pela Reuters afirmaram que as tropas foram instruídas a se esconder e operar de forma descentralizada em caso de bombardeio.
“Não duraríamos duas horas em uma guerra convencional”, declarou à Reuters uma fonte próxima ao governo venezuelano, em reconhecimento às limitações das Forças Armadas do país, que enfrentam escassez de recursos, treinamento insuficiente e equipamentos obsoletos.
O regime está em alerta máximo diante da escalada de tensões com o governo do presidente Donald Trump, que tem mantido presença militar reforçada no Caribe desde setembro. De acordo com a mídia norte-americana, Trump busca apenas uma justificativa jurídica para autorizar uma ofensiva direta.
A estratégia do governo Maduro se baseia em duas frentes complementares. A primeira, chamada de “resistência prolongada”, prevê atos de sabotagem e emboscadas conduzidos por pequenas unidades militares espalhadas por mais de 280 locais. A segunda, apelidada de “anarquização”, consiste em estimular o caos urbano, com o apoio de milícias e agentes de inteligência, para dificultar a ocupação estrangeira e tornar o país ingovernável em caso de invasão.
Fontes ligadas à defesa informaram que apenas 5 mil a 7 mil pessoas participariam das ações de “anarquização”, enquanto cerca de 60 mil integrantes das Forças Armadas e da Guarda Nacional poderiam ser mobilizados para a guerra de resistência.
Apesar das declarações oficiais, autoridades venezuelanas reconhecem a fragilidade militar do país. Ainda assim, Maduro e seus aliados têm reforçado o discurso patriótico. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, ironizou em rede nacional:
“Eles acham que, com um bombardeio, vão acabar com tudo. Aqui neste país?”.
Maduro, por sua vez, tem exaltado as Forças Armadas como “herdeiras de Simón Bolívar”, enquanto insiste em que o país está preparado para resistir a qualquer tentativa de intervenção estrangeira.

