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Justiça

Gonet pede avanço em julgamento delicado no STF; saiba o que isso pode gerar

PGR indicou quais réus devem receber punição, apontando o que considera provas determinantes no processo

Gonet pede avanço em julgamento delicado no STF; saiba o que isso pode gerar

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu no Supremo Tribunal Federal que dez investigados sejam responsabilizados por participação em uma articulação para derrubar o resultado das eleições de 2022. Segundo o G1, ele solicitou punição para integrantes do chamado “núcleo 3”, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como responsável por pressionar militares e planejar ações que visavam desestabilizar a ordem institucional.

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A PGR afirmou que esses investigados usaram posições estratégicas para tentar influenciar a cúpula das Forças Armadas e, ao mesmo tempo, organizar ações diretas de campo para criar instabilidade. Esses elementos apareciam em um plano identificado como Punhal Verde e Amarelo, que inclui monitoramento e até propostas de ataques contra autoridades.

O grupo também teria buscado apoio dentro das Forças Armadas para validar um decreto que manteria o então presidente Jair Bolsonaro no poder, mesmo após o resultado eleitoral.

Como a acusação foi construída?

Nas alegações finais, Gonet sustentou que a atuação desse núcleo foi decisiva para o avanço do plano antidemocrático. Ele afirmou: “É evidente a contribuição decisiva que proporcionaram para a caracterização dos crimes denunciados. integrantes deste núcleo pressionaram agressivamente o alto comando do Exército a ultimar o golpe de Estado”.

O procurador citou diálogos e trocas de mensagens obtidas nas investigações que, segundo ele, mostram consciência do grupo sobre a falsidade da narrativa de fraude eleitoral usada como combustível para captar apoio popular. Gonet completou que os acusados “estavam advertidos, daí desde o processo eleitoral”.

Um dos investigados, Wladimir Soares, agente da Polícia Federal, foi mencionado por Gonet ao apresentar áudios em que, de acordo com o G1, Soares afirma que a equipe estava disposta a usar “força letal”, dizendo que iriam “matar meio mundo” caso fosse necessário. A PGR afirmou: as investigações “escancaram a declarada disposição homicida e brutal da Organização Criminosa, que para isso se articulou e se lançou providências executórias devidamente armadas”.

Réus e acusações

Os dez investigados incluem coronéis, tenentes-coronéis, um general da reserva e um agente da Polícia Federal. A PGR pediu que nove deles respondam por cinco crimes, entre eles tentativa de golpe de Estado. Para um dos investigados, o tenente-coronel Ronald Ferreira, Gonet defendeu punição apenas por incitação ao crime, avaliando que sua participação foi mais limitada e pode permitir um acordo.

O procurador também contestou o argumento das defesas de que oficiais de menor patente não teriam capacidade de influenciar o alto comando. Ele rebateu: “Em suas defesas, os réus apresentaram a tese comum de que lhes faltava a faculdade de influenciar um general de quatro estrelas. O argumento se perde na premissa”.

Cenário atual do julgamento

O STF já condenou outros 15 envolvidos em diferentes núcleos da mesma investigação, com penas entre 16 e 27 anos de prisão. Estes foram classificados como integrantes dos núcleos “crucial” e “núcleo 4”, voltado à disseminação de desinformação.