Em comunicado publicado no Instagram nesta terça-feira (11), o Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) criticou o acordo firmado pelo Governo de Alagoas e a Braskem, após os desmoronamentos em cinco bairros de Maceió em novembro de 2023.
De acordo com o MUVB, o acordo foi firmado entre a empresa e o governo sem a participação das vítimas.
Entenda o acordo
O acordo foi firmado na última segunda-feira (10) pela empresa Braskem e o Governo de Alagoas. O acordo prevê o pagamento de R$ 1,2 bilhão ao longo de dez anos. Cerca de R$ 139 milhões já foram pagos, de acordo com a Braskem.
Segundo a Braskem, o acordo estabelece a compensação, ressarcimento e indenização ao Estado, para a reparação integral de todo e qualquer dano patrimonial e extrapatrimonial.
“A celebração do acordo representa um significativo e importante avanço para a companhia em relação aos impactos decorrentes do evento geológico em Alagoas”, diz a Braskem.
Movimento das Vítimas questiona os valores
O MUVB questionou os valores apresentados pela empresa e o Governo de Alagoas, uma vez que a Secretaria de Fazenda alagoana havia apresentado anteriormente uma estimativa de danos de aproximadamente R$ 30 bilhões.
“Um valor de R$ 30 bilhões estimados pelo próprio estado passa a ser de R$ 1,2 bilhão. Como um dano de tal magnitude se reduz, de repente, a essa cifra? Que cálculos justificam tamanha renúncia?”, questiona o MUVB.
Relembre o caso
O acidente geológico em Maceió se iniciou em 2018, com a exploração do mineral sal-gema, que causou a instabilidade no solo, que acabou causando afundamentos de solo nos bairros de Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol, conforme apurado pela Agência Brasil.
Milhares de imóveis tiveram a estrutura comprometida, e cerca de 60 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, por apresentarem risco de desabamento. De acordo com a Agência Brasil, a Defensoria Pública de Alagoas pediu uma indenização de R$ 4 bilhões em julho de 2025.

