O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta oficial ao presidente de Israel, Isaac Herzog, pedindo que ele avalie o perdão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, atualmente réu em um processo de corrupção. Segundo informações confirmadas pelo gabinete israelense e divulgadas pela CNN Brasil, o republicano considera que o aliado político sofre uma “perseguição política e injustificada”.
Na mensagem, Trump afirmou respeitar a autonomia do Judiciário israelense, mas classificou o julgamento como um caso politizado contra um líder que lutou ao seu lado em momentos decisivos, especialmente em ações conjuntas contra o Irã.
Tom provocativo
Esta não é a primeira vez que o presidente norte-americano defende publicamente Netanyahu. Em outubro, durante um discurso no Parlamento israelense, Trump fez o mesmo apelo a Herzog, em tom irônico.
“Senhor presidente, por que o senhor não dá a ele um perdão? Charutos e um pouco de champanhe, quem diabos se importa?”, disse, em referência às acusações de fraude, suborno e quebra de confiança apresentadas contra o premiê.
Netanyahu nega todas as acusações. Ele foi indiciado em 2019 em três processos, um deles envolvendo o recebimento de cerca de 700 mil shekels o equivalente a R$ 1,1 milhão, em presentes de empresários, entre eles champanhe e charutos, destacou o jornal.
Poder de conceder indulto
Embora o cargo de presidente em Israel tenha caráter majoritariamente simbólico, Herzog possui autoridade constitucional para conceder perdões em situações excepcionais. Até o momento, nenhuma decisão foi anunciada sobre o pedido de Trump.
O julgamento de Netanyahu começou em 2020 e tem sido interrompido várias vezes nos últimos anos devido à guerra e à instabilidade política no Oriente Médio.
Netanyahu vem classificando o processo como uma caça às bruxas da esquerda, que, segundo ele, tenta enfraquecer um governo conservador eleito democraticamente. O caso continua sem decisão judicial definitiva, e o debate sobre o eventual perdão reacende discussões em Israel sobre o equilíbrio entre política e justiça no país.

