O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento dos chamados “kids pretos”, grupo de militares acusados de monitorar e planejar o assassinato de autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes. As informações são do G1.
A sessão tinha sido iniciada na última terça-feira (11), conduzida pela Primeira Turma do STF. O julgamento faz parte do processo que investiga uma organização criminosa com o objetivo de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas urnas em 2022. Os réus integram o chamado “núcleo 3” da ação penal conduzida pelo Supremo.
O caso será retomado na próxima terça-feira (18), quando os ministros apresentarão seus votos sobre a absolvição ou condenação dos dez acusados. O relator Alexandre de Moraes será o primeiro a votar, seguido de Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, atual presidente do colegiado.
Tensão marcou o segundo dia de julgamento
Durante a sessão, Flávio Dino cobrou dos advogados respeito e lealdade ao tribunal, após críticas à investigação conduzida pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Dino ressaltou que o Supremo tem sido “leal com a advocacia brasileira” e que espera o mesmo comportamento em retorno.
O ministro Moraes também questionou as defesas sobre as provas apresentadas, destacando inconsistências em álibis e registros fotográficos. A defesa do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, apontado como uma das lideranças do grupo, pediu a absolvição do militar e alegou falta de provas de sua participação no chamado “plano Punhal Verde-Amarelo”, que previa o assassinato de autoridades.
Os advogados afirmaram que o réu não esteve presente nas reuniões de planejamento mencionadas pela acusação. Moraes, porém, cobrou a apresentação de provas adicionais, questionando a ausência de registros fotográficos do dia em que o militar teria sido monitorado, conforme apontado pela PGR.
Defesas negam envolvimento em atos golpistas
Outros réus, como os tenentes-coronéis Ronald Ferreira e Sergio Cavalierri, também negaram envolvimento com o grupo. As defesas afirmaram que os acusados não participaram de reuniões nem integraram forças especiais ligadas ao plano, destacou o jornal.
O advogado João Carlos Dalmagro Júnior, representante de Ronald Ferreira, afirmou que seu cliente “não é kid preto e em momento algum planejou qualquer ação contra estado democrático de direito nem para golpe de estado”. Já Igor Laboissieri Vasconcelos Lima, defensor de Cavalierri, fez uma analogia ao universo de Senhor dos Anéis para questionar a consistência da acusação.

