A avaliação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para 38%, o nível mais baixo desde sua volta ao poder, segundo pesquisa Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira (17). O levantamento aponta que o descontentamento com o custo de vida e a repercussão dos arquivos ligados a Jeffrey Epstein são os principais fatores que pressionam a popularidade do republicano.
A pesquisa, realizada online com 1.017 adultos e margem de erro de 3 pontos percentuais, mostra que a aprovação geral de Trump recuou dois pontos em relação ao início de novembro. Ele começou o segundo mandato com 47%, acumulando queda de nove pontos desde janeiro, índice próximo aos piores momentos do primeiro mandato e comparável aos números mais baixos do ex-presidente Joe Biden, cuja aprovação chegou a 35%.
Custo de vida pesa
Entre os temas que mais afetam a popularidade do presidente, o custo de vida aparece como determinante. Apenas 26% dos entrevistados aprovam a forma como Trump lida com as despesas do dia a dia, ante 29% no início do mês.
Segundo a Reuters, 65% dos americanos, incluindo um terço dos republicanos, reprovam sua gestão da economia doméstica. A inflação anual medida até setembro chegou a 3%, ainda elevada para padrões históricos, e acompanhada de sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho.
“Tudo se resume aos preços… As pessoas ficam furiosas quando saem para gastar dinheiro no supermercado e não conseguem acreditar no que estão gastando”, destacou o estrategista republicano Doug Heye
A principal aposta de Trump para estimular a indústria, o aumento de tarifas sobre importados, tem sido apontada por economistas como um fator de pressão sobre preços, apontou a Agência. Na tentativa de reduzir danos políticos, o presidente cortou na última semana impostos de importação sobre itens básicos como café, carne bovina e bananas.
Caso Epstein se torna foco político e divide republicanos
O desgaste político também se ampliou com a crise envolvendo os arquivos do Departamento de Justiça sobre Jeffrey Epstein, o milionário e criminoso sexual já falecido. De acordo com a Reuters, a Câmara dos Representantes, de maioria republicana, aprovou nesta terça-feira uma medida para forçar a divulgação dos documentos.
Trump resistiu à iniciativa por meses, enfrentando críticas de aliados, entre eles a deputada Marjorie Taylor Greene. Sob pressão, o presidente mudou de posição no domingo, pouco antes da votação.
A pesquisa revela que apenas 20% dos americanos, e 44% dos republicanos, aprovam a conduta de Trump em relação ao caso. Além disso, 70% dos entrevistados acreditam que o governo está escondendo informações sobre os clientes e frequentadores ligados a Epstein.
Entre os republicanos, 60% compartilham dessa suspeita, enquanto entre os democratas o índice chega a 87%.
Suporte republicano começa a rachar
Apesar de historicamente manter apoio sólido entre eleitores conservadores, Trump registrou queda entre republicanos: a aprovação interna caiu para 82%, depois de ter alcançado 87% no início de novembro.
Analistas apontam que a tendência pode refletir um teste real ao controle do presidente sobre o partido. O estrategista independente Mike Ongstad, ex-republicano, avalia que este pode ser: “O maior teste de sua presidência em termos de seu domínio sobre o Partido Republicano”.
A proximidade das eleições legislativas de meio de mandato, que ocorrem no próximo ano, também preocupa aliados. Embora a Reuters/Ipsos mostre que parte do eleitorado ainda considera os republicanos mais fortes em política econômica, o desgaste do presidente pode comprometer o desempenho do partido.

