O G20 caminha para aprovar, pela primeira vez, um texto específico sobre minerais críticos, que pode beneficiar países em desenvolvimento. As informações foram compartilhadas pela Agência Brasil, nesta quarta-feira (19).
A proposta, defendida pela presidência da África do Sul e apoiada pelo Brasil, prevê que o beneficiamento desses minerais deve ocorrer nos próprios países produtores – o que pode significar mais geração de valor, empregos e autonomia tecnológica para economias emergentes.
Quem detalhou o projeto foi o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Philip Fox-Drummond Gough, durante coletiva sobre a Cúpula de Líderes do G20, que deve acontecer no próximo fim de semana em Joanesburgo.
“É a primeira vez que se consegue um texto sobre isso”, disse Gough.
Importância para o Brasil
Neste debate, que acontece a nível mundial, o Brasil tem papel relevante, já que detém cerca de 10% das reservas mundiais de minerais críticos, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
Contudo, algumas pesquisas, como a publicada na revista Fapesp, indicam que a corrida por novas áreas de exploração já provoca conflitos socioambientais e acelera impactos associados à crise climática, um ponto sensível para o país, que tenta equilibrar expansão econômica e proteção ambiental.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a Joanesburgo na sexta-feira (21), com previsão de encontros bilaterais, incluindo reunião com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. Já no domingo (23), Lula também deve participar de uma reunião do Fórum Índia-Brasil-África do Sul (Ibas), mecanismo de cooperação criado em 2003.
O que são minerais críticos?
Os minerais críticos são recursos essenciais para tecnologias estratégicas como baterias, energia renovável e defesa.
No entanto, a oferta dessas matérias-primas é limitada ou concentrada em poucos países – como o Brasil. Por isso, qualquer interrupção no fornecimento pode gerar risco econômico e geopolítico.

