Direção dos Correios aprovou nesta quarta-feira (19) um amplo plano de reestruturação que busca reverter a crise financeira que já dura três anos e recolocar a estatal na rota de estabilidade. A iniciativa, quevinha sendo antecipada pela gestão desde outubro, pretende garantir liquidez imediata, reorganizar a rede de atendimento e preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento estratégico.
Segundo informações do G1, a expectativa é que o pacote seja impulsionado por uma operação de crédito de R$ 20 bilhões, cuja contratação com um consórcio de bancos deve ser concluída até o fim de novembro.
O plano aprovado pelos conselhos dos Correios prevê ações simultâneas em frentes financeira, operacional e estratégica. Para reduzir despesas no curto prazo, a estatal deve colocar em prática um Programa de Demissão Voluntária, rever contratos de planos de saúde e reavaliar sua malha de atendimento, o que pode resultar no fechamento de até mil unidades consideradas deficitárias.
Em paralelo, a empresa pretende acelerar a modernização tecnológica, renovar a infraestrutura logística e avançar em iniciativas de digitalização capazes de ampliar eficiência e reduzir gargalos históricos.
Outro eixo relevante do pacote envolve a monetização de ativos. A área técnica identificou potencial de arrecadação de cerca de R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis e outras propriedades não essenciais, recurso que ajudaria a aliviar a pressão sobre o caixa, destacou o jornal.
A ampliação de serviços voltados ao comércio eletrônico e a avaliação de possíveis fusões e aquisições também integram o conjunto de medidas pensado para reposicionar os Correios no mercado e diversificar fontes de receita. Apesar das mudanças estruturais e do ambiente de forte restrição orçamentária, a empresa reforça que a missão pública permanece como elemento central.
A universalização dos serviços postais que garante entregas em todos os municípios brasileiros, incluindo regiões remotas seguirá como compromisso “inegociável”, especialmente considerando atribuições estratégicas como distribuição de material didático, logística eleitoral e apoio humanitário em situações de emergência. A direção da estatal avalia que essa capilaridade justifica a necessidade de fortalecimento institucional e de investimentos contínuos.

