A Casa Branca informou que representantes dos Estados Unidos e da Ucrânia mantiveram, em Genebra, uma rodada de negociações descritas como “construtivas, objetivas e respeitosas”, segundo comunicado divulgado no último domingo (23) pelo governo americano, de acordo com o G1. A nota ressaltou que ambos os países seguem alinhados na intenção de alcançar um entendimento que assegure uma paz duradoura.
O governo dos EUA afirmou ter apresentado uma versão atualizada de sua proposta, construída com base nas conversas realizadas na Suíça. Washington, porém, não detalhou publicamente os pontos revisados, reforçando apenas que qualquer acordo precisa preservar a integridade territorial da Ucrânia.
A divulgação ocorre em meio a pressões internas e externas sobre o conteúdo do documento, já que parte das informações veio a público na última sexta-feira (21), quando a AFP afirmou ter tido acesso ao esboço da proposta.
Divergências sobre territórios e reação política
O rascunho obtido pelo veículo previa que Kiev aceitasse ceder as regiões de Donetsk e Luhansk à Rússia. Esses territórios no leste ucraniano passariam a ser “reconhecidos de fato como russos, inclusive pelos Estados Unidos”, segundo o material mencionado. O mesmo entendimento seria aplicado à Crimeia, tomada pela Rússia em 2014.
A declaração da Casa Branca também foi divulgada pouco depois de o presidente americano, Donald Trump, criticar publicamente o governo ucraniano. Trump afirmou que Volodymyr Zelensky teria demonstrado “nenhuma gratidão”, mesmo após os esforços de Washington para avançar nas negociações.
Logo após as declarações, Zelensky respondeu pelo Telegram afirmando que a Ucrânia é grata tanto aos Estados Unidos quanto ao presidente Donald Trump pelo apoio contínuo. Na plataforma Truth Social, o líder americano voltou a criticar ainda países europeus que seguem adquirindo petróleo russo, contrariando sanções impostas ao setor energético do país.
União Europeia reforça posição contra concessões
A pressão internacional aumenta no momento em que a União Europeia reafirma sua postura sobre o tema. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que as fronteiras ucranianas “não podem ser alteradas pela força” e defendeu que o país não pode ter suas Forças Armadas limitadas a ponto de se tornar vulnerável.
Ursula ressaltou ainda que qualquer pacto precisa incluir participação significativa do bloco europeu e deve ser capaz de “parar a matança sem semear um conflito futuro”, segundo suas palavras.

