Durante coletiva ao final da cúpula do G20, em Joanesburgo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende abrir um canal direto de diálogo com Donald Trump visando reduzir a crescente tensão militar entre Estados Unidos e Venezuela. As declarações foram divulgadas pela Folha de S. Paulo.
Segundo o jornal, Lula demonstrou “muita preocupação” com o deslocamento de tropas navais norte-americanos para a região do Caribe. O presidente ressaltou que o Brasil “tem responsabilidades na América do Sul” e que a presença militar americana próxima à fronteira venezuelana acende um alerta regional.
“Eu estou muito preocupado e gostaria que não acontecesse nada, nada militarmente na América do Sul”, destacou o presidente brasileiro.
O mandatário destacou ainda que a América do Sul é historicamente reconhecida como “zona de paz”, sem armas nucleares e comprometida com o desenvolvimento. A escalada atual, afirmou, contrasta com esse perfil. Lula também citou o conflito entre Rússia e Ucrânia, reforçando que iniciar uma guerra é muito mais simples do que encerrá-la.
A Folha relata que Trump enviou milhares de soldados e navios de guerra, incluindo o maior porta-aviões do mundo, para o Caribe, além de autorizar operações da CIA dentro da Venezuela, medida interpretada como tentativa de pressionar o governo de Nicolás Maduro. Pelo menos 80 pessoas morreram em embarcações atingidas por forças americanas, sob alegações, não comprovadas, de transporte de drogas.
G20 e o enfraquecimento do multilateralismo
Apesar das ausências de Trump e de Xi Jinping no encontro do G20, Lula afirmou, segundo a reportagem, que o grupo segue sólido. Ele enfatizou ainda que decisões concretas precisam ser implementadas antes do próximo encontro, que será sediado pelo próprio Trump, na Flórida.
O presidente criticou o que considera uma ofensiva de Trump contra o multilateralismo, lembrando que os EUA já se afastaram de instituições internacionais como a Unesco e a Organização Mundial do Comércio. Para Lula, a cooperação global continuará sendo a estratégia vencedora.
“Eu acho que vai vencer o multilateralismo, porque todo mundo aqui sabe que juntos nós seremos muito mais fortes”, retificou Lula.
Encontros bilaterais e agenda africana
Durante o G20, Lula manteve reuniões com líderes da Índia, África do Sul, Turquia e Coreia do Sul, além de defender o fortalecimento do Ibas, fórum de diálogo entre Índia, Brasil e África do Sul. Ele também participou de debates sobre minerais estratégicos e inteligência artificial.
Após o encontro do G20, o presidente seguiu para Maputo, em Moçambique, onde se reuniu com o presidente Daniel Chapo e receberá o título de doutor honoris causa da Universidade Pedagógica de Moçambique.

