O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) declarou, durante entrevista transmitida no último sábado (22), que se encontra “seguro” nos Estados Unidos e que sua permanência no país ocorre com a “anuência” e o conhecimento do governo norte-americano. As declarações foram divulgadas pela CNN Brasil, que detalha a situação do parlamentar após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ramagem foi sentenciado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por crimes relacionados ao plano de golpe de Estado articulado no contexto das eleições de 2022. O deputado, entretanto, não chegou a iniciar o cumprimento da pena porque o processo ainda aguarda o julgamento de recursos.
Segundo o parlamentar, representantes do governo dos EUA teriam manifestado acolhimento diante de sua presença no país. Nas palavras atribuídas por ele às autoridades americanas: “Que bom que temos um amigo que está em segurança, a salvo, aqui nos Estados Unidos”.
O comentário foi feito em entrevista ao blogueiro Allan dos Santos, no canal Conversa Timeline, no YouTube. Ramagem reforçou que o governo americano estaria ciente de sua localização e que sua saída do Brasil se deu por razões de proteção pessoal.
Veja a entrevista na íntegra
Prisão preventiva e suspeita de fuga
Na quarta-feira (19), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a prisão preventiva de Ramagem. A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o deputado teria deixado o Rio de Janeiro em direção a um estado do Norte, seguido por deslocamento terrestre até um país vizinho e, posteriormente, embarcado para os EUA.
A CNN Brasil informa que tentou contato com a PF, o STF e autoridades norte-americanas sobre as afirmações de Ramagem, mas não obteve retorno até a publicação.
Crimes pelos quais foi condenado
A condenação do deputado inclui três crimes:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado.
As investigações identificaram Ramagem ex-diretor da Abin e delegado da PF como um dos responsáveis por estruturar e disseminar conteúdos utilizados por Jair Bolsonaro para atacar o sistema eleitoral.
As defesas dos réus do chamado “núcleo 1”, grupo ao qual Ramagem pertence, têm até esta segunda-feira (24) para apresentar novos recursos à Primeira Turma do STF.
Perseguição e proteção da família
Durante a entrevista, Ramagem atribuiu o que chama de “perseguição” à sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro e à atuação contra o que definiu como um “sistema oligárquico”.
Ele também mencionou que sua decisão de deixar o Brasil buscou proteger sua família. No domingo (23), sua esposa, Rebeca Ramagem, publicou nas redes sociais que a ida aos Estados Unidos tinha o objetivo de resguardar o núcleo familiar. O deputado lamentou a possibilidade de suas filhas presenciarem sua prisão e afirmou que não permaneceria no Brasil diante do que classificou como “ditadura”.

