A cerimônia de sanção da nova lei que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês acabou marcada por duas ausências que chamaram atenção nos bastidores: Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Mesmo assim, o governo fez questão de agradecer publicamente a ambos, um gesto visto como tentativa de manter as pontes enquanto a relação segue estremecida.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, citou nominalmente os presidentes da Câmara e do Senado, exaltando o papel deles na aprovação do projeto. “A ausência dos presidentes nada frustra a importante construção e apoio que deram a esse projeto”, afirmou, tentando neutralizar a leitura política de que o distanciamento é cada vez mais evidente.
Nos corredores do Congresso, porém, a versão é outra. Integrantes do Legislativo apontam que tanto Motta quanto Alcolumbre estão em atrito com o Executivo e essa tensão explica a falta dos dois na cerimônia no Planalto. No caso de Motta, o desgaste é explícito: ele rompeu com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, após uma sequência de choques, entre eles a condução do PL Antifacção, cuja relatoria entregou à oposição. Fontes afirmam que a crise deixou de ser apenas “ruído” e virou problema concreto.
Davi Alcolumbre, por sua vez, mantém a postura discreta de sempre, mas também vem acumulando insatisfações com o governo. Apesar do clima azedo, Lula sancionou a medida celebrada como uma das principais promessas de campanha: isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil.

