Publicidade
Economia

Moody’s mantém avaliação de grau de investimento para o Brasil; saiba detalhes

Agência reafirma perspectiva estável e destaca que reformas fiscais profundas são essenciais para que o país volte ao grau de investimento

Moody’s mantém avaliação de grau de investimento para o Brasil; saiba detalhes

A Moody’s concluiu uma nova revisão periódica da classificação de risco do Brasil e decidiu manter o rating soberano do país em Ba1, com perspectiva estável, segundo informações repercutidas pelo G1. A decisão mantém o Brasil a um passo do grau de investimento, selo que indica baixo risco de calote e maior confiança dos investidores internacionais.

Publicidade

Em relatório divulgado na última quarta-feira (26), a agência destacou que a economia brasileira tem mostrado resiliência diante das tensões comerciais desencadeadas pelo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para a Moody’s, apesar do impacto inicial, o efeito das tarifas sobre o Brasil tem sido limitado.

Ainda assim, segundo o relatório divulgado pela agência e repercutido pelo G1, dois fatores continuam sendo obstáculos importantes:

  • Inflação elevada, com o IPCA acumulando alta de 4,68% em 12 meses até outubro;
  • Taxa Selic em 15%, o maior patamar em quase 20 anos.

A Moody’s ressaltou que o crédito do país é sustentado por uma economia ampla e diversificada, mas sofre com limitações como altos pagamentos de juros, rigidez nos gastos e crescimento da dívida pública.

Reforma fiscal é ponto decisivo para avanço da nota

Agência aponta que o Brasil só avançará na classificação se houver consenso político para promover reformas que flexibilizem o orçamento e ampliem o controle dos gastos. A Moody’s cita como caminhos possíveis:

  • Reduzir vinculações orçamentárias;
  • Rever a indexação automática de benefícios sociais ao salário mínimo;
  • Ajustar regras da Previdência para ampliar o espaço fiscal.

A agência também defende que reformas macroeconômicas que melhorem a transmissão da política monetária ajudariam a reduzir a vulnerabilidade fiscal em períodos de aperto nos juros.

Histórico recente da nota

Moody’s subiu a nota do Brasil pela última vez em 2024, de Ba2 para Ba1, deixando o país novamente próximo do grau de investimento, segundo informações repercutidas pelo G1.

A partir de então, o país enfrentou nove anos na categoria de grau especulativo, cenário que reduz a capacidade de atrair investimentos externos, especialmente de fundos que só aplicam recursos em economias com selo de bom pagador.

“As reformas econômicas estruturais implementadas por sucessivas administrações nos últimos anos impulsionaram os investimentos e as perspectivas de crescimento. No entanto, a polarização política representa um obstáculo à formulação de políticas, limitando os esforços de reforma fiscal e consolidação”, afirmou a Moody’s no relatório.

Expectativas e próximos passos

Para os analistas da Moody’s, o Brasil só conseguirá recuperar o selo de bom pagador se demonstrar compromisso duradouro com reformas fiscais e maior estabilidade política. Caso isso ocorra, o país pode melhorar sua credibilidade, atrair mais capital estrangeiro e fortalecer sua capacidade de investimento em crescimento sustentável, diz o relatório.

Acompanhe O Brasilianista no Instagram