O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou, durante discurso em plenário, que a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro – decretada pelo STF no sábado (22) e confirmada pela Primeira Turma na segunda-feira (24) – foi “arbitrária” e pode servir como “cortina de fumaça” para desviar a atenção de escândalos em investigação.
Segundo informações da Agência Senado, o senador afirmou que, enquanto a mídia concentra cobertura na prisão, casos como o esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS e as irregularidades envolvendo o Banco Master seguem sem a mesma visibilidade.
“Será que, em tudo isso, tem uma cortina de fumaça para que a mídia coloque, num momento crucial, todos os holofotes na prisão do presidente? E aí a gente vê o holofote da grande mídia brasileira, da mídia tradicional, focando nisso 24 horas, enquanto explodem escândalos de gravidade que podem deixar “petrolão” e “mensalão” como coisa de “roubinhos””, afirmou.
CPI do Banco Master
O senador disse ainda que protocolou um requerimento para criação de uma CPI focada exclusivamente no Banco Master, que foi alvo de operação da Polícia Federal e liquidado pelo Banco Central.
A operação culminou na prisão do gestor do Master, Daniel Vocaro.
De acordo com Girão, as investigações já identificaram movimentações financeiras consideradas graves, com impactos em fundos de pensão, vínculos com bancos públicos e suspeitas de desvio que podem chegar a R$ 50 bilhões.
“Eu confesso que é gravíssimo. É por isso que estou pedindo essa CPI e solicito a assinatura dos senadores desta Casa, independentemente de partido. Quem quiser buscar a verdade tem o dever de assinar essa CPI, e eu vou, aqui, ficar lembrando todos os dias, para que a gente possa ter o número necessário e para que o presidente da Casa possa ler e a gente possa instalar”, continuou.
O parlamentar defendeu que senadores de todos os partidos assinem o pedido como “dever” e afirmou que continuará cobrando apoio até que a presidência do Senado leia o requerimento e autorize a instalação da comissão.

