Contrapartidas devem ser cobradas pelos Estados Unidos, para avançar em novas reduções das sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros, de acordo com avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de avaliar como incluir promessas de investimento e compromissos de compra do setor privado
Paralelamente ao debate industrial, o Brasil tenta resolver rapidamente as sanções impostas a autoridades nacionais, como a suspensão de vistos de ministros e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Integrantes do Planalto afirmam que houve, no início das conversas, uma tentativa de inserir a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro na pauta, mas o assunto não prosperou.
Segundo informações do G1, atualmente, 22% das exportações brasileiras destinadas aos EUA continuam sujeitas a taxas de 40%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Embora Donald Trump tenha anunciado, em 20 de novembro, o corte do tarifaço de 40% para parte do agronegócio, incluindo carne e café, a medida não contemplou os produtos manufaturados, que seguem sob pressão tarifária.
Ainda de acordo com o G1, com base em dados de 2024, sobre US$ 40,4 bilhões exportados, US$ 8,9 bilhões seguem totalmente taxados, enquanto US$ 6,2 bilhões enfrentam tarifa extra de 10%. Apenas US$ 14,3 bilhões estão livres de sobretaxas. Outros US$ 10,9 bilhões seguem afetados pelas regras da Seção 232.
Negociações avançam, mas tendência é de barganhas setoriais
Nos bastidores, a avaliação do governo brasileiro é que, apesar da abertura de diálogo entre Lula e Trump, os EUA não farão novos gestos sem receber algo em troca.
Há expectativa de que Washington solicite concessões em áreas como Defesa, energia ou estruturação de compras estratégicas envolvendo empresas brasileiras, prática comum nas negociações conduzidas pela gestão Trump, as informações são do Estadão.
O Brasil estuda apresentar um pacote de acordos setoriais ou uma estratégia de barganhas, buscando equilibrar interesses industriais, agrícolas e tecnológicos.
Brasil também quer retirar sanções a autoridades
De acordo com o G1, além das tarifas, o governo brasileiro pretende negociar rapidamente o fim das sanções impostas pelos EUA a autoridades nacionais, especialmente:
- Suspensão de vistos de ministros;
- Aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Integrantes do Planalto afirmam que a reaproximação entre Lula e Trump torna essas sanções “incompatíveis com o momento diplomático”.
Com negociações previstas para ocorrer em Washington nas próximas semanas, a expectativa é que, depois de duas ou três reuniões, as cartas de cada lado estejam totalmente expostas, permitindo clareza sobre o tamanho das concessões de ambos os países.

