A Otan estuda medidas mais rígidas para reagir às ações atribuídas à Rússia no território europeu. A avaliação, segundo a Reuters, foi feita pelo chefe militar da Aliança, almirante Giuseppe Dragone, que mencionou a possibilidade de respostas mais firmes diante do que chamou de “guerra híbrida” conduzida por Moscou. O tema reacendeu alertas entre integrantes do bloco.
Dragone citou episódios recentes, como ataques cibernéticos, drones que invadiram espaços aéreos e danos a cabos submarinos de comunicação. Essas atividades, classificadas como ameaças crescentes, têm provocado preocupação entre os países membros. O militar também afirmou que a hipótese de ações preventivas não está descartada, embora reconheça que isso não faz parte da prática usual da organização.
A reação russa veio rapidamente. Para o Kremlin, a declaração do almirante é “irresponsável” e demonstra que a Otan estaria disposta a ampliar o nível de tensão com Moscou. O ambiente, segundo autoridades russas, demonstra risco de agravamento no curto prazo.
Preocupação militar avança entre países europeus
Nos bastidores, governos do bloco calculam que um confronto direto com a Rússia poderia ocorrer até o fim da década. Por isso, alguns membros já estão ajustando suas políticas internas. França e Bélgica revisaram regras do serviço militar, oferecendo incentivos a recrutados e ampliando a estrutura de reservistas.
O reforço não se limita ao alistamento. O Parlamento Europeu aprovou a destinação de 1,5 bilhão de euros para compras de equipamentos e estímulo à indústria de defesa, medida vista como estratégica para sustentar capacidades militares nos próximos anos.
Na avaliação de autoridades francesas, Moscou representa um risco crescente à estabilidade regional. Paris pressiona por maior protagonismo dos países europeus tanto na condução diplomática quanto no reposicionamento militar. Esse movimento ganhou força com o encontro desta semana entre Emmanuel Macron e Volodymir Zelensky no Palácio do Eliseu.
Europa tenta se reposicionar nas negociações de paz
A reunião tratou do plano proposto pelos Estados Unidos para buscar uma saída para a guerra. Zelensky voltou a pedir garantias de que a Ucrânia não será atacada novamente, ponto que a Rússia resiste em aceitar. Ele também afirmou que temas financeiros e de reconstrução dependem da participação ativa dos parceiros europeus.
Macron defendeu que Europa, Ucrânia e Rússia participem de forma conjunta das tratativas. O presidente francês disse que a proposta apresentada pelos EUA ainda não configura um plano completo, justamente pela ausência de todos os atores diretamente envolvidos.
Enquanto isso, Washington mantém interlocução com Moscou. O enviado especial Steve Witkoff segue para a capital russa para apresentar ajustes no documento já trabalhado pelos norte-americanos. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, “a administração está muito otimista. Nós colocamos os pontos no papel. Esses pontos foram bastante refinados”.

