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Geopolítica

Tensão no Caribe: entenda por que Maduro não deve se refugiar no Brasil

Contato entre Trump e Maduro traz especulações em meio à crescente pressão política e militar dos Estados Unidos.

Tensão no Caribe: entenda por que Maduro não deve se refugiar no Brasil

A tensão sobre o futuro de Nicolás Maduro vem sendo comentada desde as últimas semanas após o posicionamento de ativos militares dos Estados Unidos no Caribe.

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Entre analistas e governos, as ações aumentaram a percepção de que o ditador venezuelano poderia deixar o país caso fosse pressionado diretamente por Donald Trump.

Relação entre Trump e Maduro

A possibilidade ganhou força depois da revelação, esta feita por um senador à CNN Brasil, de que Trump e Maduro tiveram uma conversa via telefone há cerca de dez dias.

O presidente estadunidense evitou qualquer detalhe sobre o teor do diálogo, enquanto o líder latino tratou a troca como “respeitosa e cordial”.

Ao mesmo tempo, o Departamento de Justiça dos EUA segue com a oferta de 50 milhões de dólares (cerca de R$ 271,9 milhões) por informações que levem à captura de Maduro, acusado pela gestão Trump de envolvimento com organizações criminosas, como o Tren de Aragua.

Apesar desse cenário de pressão, o venezuelano destaca que não pretende deixar Caracas, chegando a jurar “lealdade absoluta” ao povo.

Ainda assim, a Casa Branca aponta que ele deveria abandonar a Venezuela e escolher, com segurança, um país para onde possa viajar acompanhado de familiares.

Por que o Brasil dificilmente seria um destino?

Por mais que historicamente já tenha existido momentos de proximidade entre Lula e Maduro, o contexto atual é muito diferente.

Em 2023, Lula recebeu o líder venezuelano no Palácio do Planalto, ato que rendeu críticas internas. No ano seguinte, a relação piorou quando o governo brasileiro se recusou a reconhecer a suposta vitória de Maduro nas eleições.

Brasília (DF) passou a cobrar, junto com outros países, a divulgação das atas de votação. Com o clima duvidoso, buscar abrigo no Brasil não parece algo ideal para o ditador.

Outro fator é a relação do governo brasileiro com os estadunidenses. Em um momento em que o Planalto tenta reconstruir pontes com os EUA e reverter o tarifaço imposto ao Brasil, acolher Maduro poderia criar um atrito imediato com o governo Trump.

Questões legais e de segurança

A possível escolha de um país de refúgio também exige garantias de segurança oferecidas pelo anfitrião, algo que nem sempre é simples.

Além disso, Maduro é investigado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, por crimes contra a humanidade relacionados à repressão de opositores e manifestantes.

O Brasil, signatário do Estatuto de Roma desde 1998, seria obrigado a deter o político caso um mandado fosse emitido, já que existe um processo ativo contra ele.

Mesmo que os obstáculos diplomáticos e legais não existissem, ainda tem outro problema. Buscar abrigo tão perto da Venezuela poderia gerar riscos a mais.

proximidade aumentaria a chance de Maduro tentar influenciar uma transição política em seu país, algo nada desejado por qualquer governo que aceitasse recebê-lo.

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