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Política

A CPI que ninguém quer

Somente o pedido do Senado de uma CPI para apurar o rombo do Banco Master avançou entre as demais

A CPI que ninguém quer

A crise envolvendo o rombo bilionário do Banco Master deveria ter provocado uma reação imediata do sistema político, mas o que se viu até agora foi o oposto: uma paralisia quase coordenada para impedir que qualquer comissão parlamentar de inquérito avance. O caso, considerado altamente sensível por envolver agentes públicos, operadores financeiros e áreas regulatórias, tornou-se a CPI que ninguém quer.

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Três pedidos de criação de comissões foram apresentados simultaneamente no Senado, na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Apenas o do Senado avançou, ainda que de forma tímida. Protocolado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), o requerimento conseguiu reunir 34 assinaturas, superando o mínimo de 27. Mesmo assim, lideranças partidárias avaliam o tema com cautela e não demonstram entusiasmo em dar início às investigações, temendo implicações políticas e repercussões no mercado financeiro.

Na Câmara dos Deputados, o pedido apresentado pelo deputado e ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) teve desempenho ainda mais fraco. A proposta precisava de 171 assinaturas, mas obteve apenas 118. O resultado expôs não apenas uma falta de articulação, mas, sobretudo, uma clara falta de disposição política para abrir uma investigação que pode atingir atores influentes e desgastar relações com o governo e com setores econômicos estratégicos.

A situação na Câmara Legislativa do Distrito Federal foi ainda mais simbólica. O pedido de CPI reuniu sete assinaturas, quando o mínimo exigido era oito. Faltou apenas uma, e não por acaso. Uma comissão local teria potencial para examinar contratos, regulação e eventuais favorecimentos associados ao Banco Master no âmbito do DF. O risco de imprevisibilidade política e institucional levou os parlamentares a deixarem o pedido morrer antes mesmo de nascer.

O denominador comum nas três Casas é o medo. No Senado, assinou-se, mas não se quer tocar. Na Câmara, preferiu-se nem assinar. No Distrito Federal, deixou-se faltar justamente a assinatura que permitiria a abertura da comissão. O potencial explosivo do caso, que atravessa governos, parlamentos e instâncias regulatórias, explica a resistência: uma CPI poderia expor conexões indesejadas e fragilidades na fiscalização do sistema financeiro.

A ausência de apetite para investigar um rombo dessa magnitude revela algo preocupante: há um pacto tácito de silêncio mais forte do que o dever institucional de apuração. Perguntas fundamentais seguem sem resposta — quem falhou, quem ganhou, quem perdeu e por que ninguém quer investigar. A CPI que ninguém quer é exatamente a CPI que mais se faz necessária, e sua não criação evidencia o grau de captura, temor e opacidade que ainda marca o sistema político brasileiro.

A opinião dos colunistas não reflete a opinião do veículo.

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