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Política

Câmara e a noite mais tensa da história

As tensões vinham se acumulando desde o fim da tarde

Câmara e a noite mais tensa da história

O relógio já havia avançado, já era madrugada, quando o Plenário da Câmara aprovou o projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A votação, classificada por alguns parlamentares como feita “na calada da noite”, beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja pena em regime fechado pode cair para cerca de dois anos e quatro meses. O texto, que elimina o cúmulo das penas para crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, segue agora para o Senado. Mas, mais do que o mérito da proposta, foi o clima dentro do plenário que definiu a noite.

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As tensões vinham se acumulando desde o fim da tarde, quando o presidente da Câmara, Hugo Motta, surpreendeu ao pautar simultaneamente o PL da Dosimetria e quatro processos de cassação, entre eles o do deputado Glauber Braga (PSOL). A repercussão foi imediata: gabinetes fervilharam, assessores corriam de um lado a outro e a oposição tentava reorganizar sua estratégia para enfrentar a pauta.

Glauber, por sua vez, decidiu transformar seu protesto em gesto político e subiu à Mesa Diretora. A reação de Hugo Motta redesenhou o clima no plenário. O presidente acionou a Polícia Legislativa para retirá-lo, desencadeando um tumulto que se espalhou rapidamente. Em meio ao empurra-empurra no Salão Verde, a imprensa foi impedida de entrar no Plenário, o que ampliou ainda mais a sensação de tensão.

Depois da confusão, o ambiente permaneceu pesado. A base governista e a oposição tentavam entender os próximos passos, e a madrugada avançava com o ar carregado. Nesse clima, a votação acabou ocorrendo, selando uma das noites mais tensas da história Câmara.