O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que voltou a tratar da instabilidade na América do Sul durante um telefonema recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo publicou o G1, Lula relatou que reforçou ao norte-americano que o Brasil não apoia qualquer escalada militar na região e defende um esforço diplomático para evitar novos conflitos.
O diálogo, citado por Lula durante um evento em Belo Horizonte, ocorreu na semana passada, apesar de o presidente ter mencionado inicialmente outra data. A Secretaria de Comunicação da Presidência confirmou depois que houve apenas troca de informações sobre a ligação, esclarecendo o equívoco na fala.
A conversa se insere em um momento de tensão envolvendo a Venezuela, tema que tem mobilizado o Palácio do Planalto e motivado novas tentativas de articulação com governos vizinhos e com Washington.
Pressão militar dos EUA reacende alerta regional
Desde agosto, os Estados Unidos concentram navios de guerra, caças e um porta-aviões no Caribe sob justificativa de combate ao narcotráfico. Esse movimento, porém, tem sido entendido como gesto de pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.
Na mesma semana em que falou com Trump, Lula também conversou com o presidente venezuelano sobre a necessidade de preservar a estabilidade na América do Sul e no Caribe.
O Brasil tenta ocupar espaço de mediação na crise e busca, há meses, apresentar alternativas de diálogo que evitem um agravamento do cenário geopolítico.
Apelo por negociação e defesa da soberania
Lula já havia manifestado preocupação sobre possíveis ações unilaterais na região. Em diferentes ocasiões, o presidente cobrou respeito à soberania dos países e defendeu que “a palavra” e a via diplomática sejam usadas antes de qualquer medida militar.
Ele mencionou também que pretende discutir com os EUA formas de cooperação policial e judicial para lidar com questões transnacionais, sem abrir brechas para intervenções externas.

