O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (16) que parte da violência sofrida por mulheres no Brasil é resultado de um padrão cultural que se perpetuou desde a escravidão. Em encontro realizado no Palácio do Planalto para discutir políticas de enfrentamento à violência de gênero.
Lula declarou que muitos homens ainda crescem acreditando que têm autoridade sobre o corpo das mulheres, um comportamento que, segundo ele, remonta ao período colonial. As informações são do Poder 360.
Durante a reunião, o presidente defendeu o fortalecimento de ações de prevenção e responsabilização dos agressores. Lula afirmou que é preciso “tratar a violência contra a mulher como prioridade de Estado” e que a mudança cultural depende tanto do governo quanto de ações educativas permanentes.
Por que Lula fez essa comparação?
O presidente contextualizou sua fala ao destacar que o Brasil carrega marcas profundas da escravidão, sistema que estruturou relações de dominação por mais de três séculos. Para Lula, o machismo encontra, nesse passado, terreno fértil para se reproduzir até hoje, naturalizando comportamentos de controle e violência.
De acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), a economia do Brasil colonial funcionou, por quase 400 anos, sustentada pelo trabalho escravo. Inicialmente, colonizadores exploraram povos indígenas, mas a alta mortalidade e resistência levaram Portugal a recorrer ao tráfico de africanos. Estima-se que mais de 4 milhões de pessoas foram trazidas à força para o Brasil, cerca de 35% de todo o tráfico atlântico, o maior número das Américas.
Segundo o petista, muitos homens ainda entendem a relação conjugal como um espaço de posse, uma lógica que sustenta situações de abuso, agressões e até feminicídios.
O que dizem os dados?
Os dados mais recentes do levantamento realizado pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher Contra a Violência, ajudam a dimensionar o problema discutido na reunião.
A pesquisa, que desde 2005 monitora a violência doméstica no país, ouviu 22.000 mulheres e apresentou, pela primeira vez em duas décadas, uma redução estatisticamente significativa no número de vítimas no período de 12 meses.
Mesmo assim, os números seguem altos:
- 3,7 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência no último ano;
- O número representa 2,2 milhões a menos que em 2023 (quando eram 5,8 milhões);
- O estudo também ampliou o monitoramento de agressões testemunhadas por crianças, violência digital e barreiras que impedem denúncias.
Governo promete reforçar ações e ampliar rede de proteção
De acordo com o Planalto, o encontro serviu para revisar programas em andamento e discutir novas medidas a serem anunciadas em 2026. Entre os temas tratados estão:
- ampliação de casas de abrigo para mulheres em risco iminente;
- integração entre polícias, Judiciário e serviços de saúde;
- campanhas permanentes direcionadas a escolas e homens jovens;
- fortalecimento da rede de Delegacias da Mulher em municípios de médio porte.
Lula afirmou que combater a violência contra a mulher não é “um assunto das mulheres”, mas uma responsabilidade de toda a sociedade.

