A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (18) Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, durante uma nova etapa da Operação Sem Desconto. A ação investiga um esquema de descontos ilegais aplicados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Além da prisão, a ofensiva resultou no afastamento do secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, que passou a cumprir prisão domiciliar.
A operação é conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e teve autorizações do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do portal VEJA.
Quem é o filho do “Careca do INSS”?
Segundo o portal G1, Romeu Antunes Carvalho atuava, até 2023, como programador de sistemas em uma instituição de pagamentos digital. Segundo os investigadores, ele passou a integrar empresas ligadas ao pai após deixar o emprego formal.
A PF afirma que Romeu se tornou sócio de pelo menos quatro empresas e teve participação indireta em outras, todas vinculadas ao núcleo empresarial de Antônio Carlos Antunes. Essas estruturas, de acordo com a investigação, teriam sido usadas para movimentar recursos de origem suspeita.
Os dados financeiros chamaram a atenção dos investigadores: em poucos meses, a renda mensal atribuída a Romeu teria aumentado de forma expressiva, em um ritmo considerado incompatível com seu histórico profissional anterior.
Quem é o “Careca do INSS”?
Como já apurado pelo O Brasilianista, Antônio Carlos Camilo Antunes ganhou o apelido de “Careca do INSS” por ser apontado como figura central de um esquema que envolvia entidades associativas e servidores do órgão. Apesar do nome, ele nunca ocupou cargo público no instituto.
Segundo a Polícia Federal, Antunes atuava como intermediário entre associações e pessoas com acesso a dados da Previdência, facilitando a aplicação de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas.
Relatórios da investigação indicam que empresas ligadas a ele movimentaram milhões de reais em um curto período, com indícios de repasses a servidores e uso de estruturas empresariais para dificultar o rastreamento do dinheiro. Ele foi preso em uma fase anterior da operação.
O que é a Operação Sem Desconto e o que está sendo investigado?
A Operação Sem Desconto apura um esquema de cobranças irregulares feitas diretamente nos benefícios pagos pelo INSS. As investigações indicam que aposentados e pensionistas tiveram valores descontados sem autorização, sob a justificativa de mensalidades associativas.
De acordo com a PF e a CGU, o esquema envolvia:
- uso indevido de dados de beneficiários;
- atuação de associações suspeitas;
- participação de intermediários privados;
- e possíveis ligações com servidores públicos.
Os crimes investigados incluem estelionato previdenciário, organização criminosa, inserção de dados falsos em sistemas oficiais e ocultação de patrimônio.
Outros alvos da operação
Além da prisão de Romeu Antunes, esta fase da operação teve como alvos:
- Adroaldo Portal, secretário-executivo do Ministério da Previdência, afastado do cargo e em prisão domiciliar;
- Weverton Rocha (PDT-MA), senador, alvo de mandados de busca e apreensão;
- Éric Fidelis, filho de um ex-diretor do INSS, que também foi preso.
O número total de prisões e medidas cautelares ainda pode ser atualizado pelas autoridades.
O que acontece agora?
Com a nova fase da operação, a Polícia Federal deve analisar o material apreendido, aprofundar o rastreamento financeiro e ouvir os investigados. As informações reunidas serão encaminhadas ao STF e ao Ministério Público, que poderão apresentar denúncias formais.
Paralelamente, a CPMI do INSS, em andamento no Congresso Nacional, acompanha os desdobramentos do caso e pode convocar novos depoimentos para apurar responsabilidades políticas e administrativas.

