Após sete pregões consecutivos de valorização, o dólar perdeu força frente ao real e fechou em queda no mercado brasileiro na última terça-feira (23). O movimento foi puxado pela atuação do Banco Central, que realizou dois leilões de linha em um cenário de menor liquidez por causa do feriado.
A autoridade monetária ofertou US$ 2 bilhões ao mercado e vendeu US$ 500 milhões. A operação não esteve vinculada à rolagem de vencimentos e teve como efeito a ampliação da oferta de moeda estrangeira em um período tradicionalmente mais esvaziado. As informações são do UOL Notícias.
Durante o pregão, o dólar chegou a atingir R$ 5,5975, mas perdeu força ao longo do dia e encerrou cotado a R$ 5,5314, o que representou queda de 0,95%. A mínima registrada foi de R$ 5,5304.
No mercado futuro, o contrato de dólar para janeiro acompanhou o movimento e recuou 1,21%, sendo negociado a R$ 5,5300. Mesmo com a baixa, a moeda acumula alta de 0,03% na semana e de 3,69% no mês. No acumulado do ano, porém, registra desvalorização de 10,50%.
Intervenção e leitura dos agentes financeiros
No pregão anterior, o dólar havia fechado em R$ 5,5843 e alcançado R$ 5,6072, maior nível em cinco meses. A pressão foi associada ao envio de lucros e dividendos ao exterior, além de uma postura mais defensiva por parte dos investidores.
Segundo participantes do mercado, esse contexto levou o Banco Central a intervir para conter uma valorização mais intensa da moeda americana. Para o head da mesa de câmbio e internacional da Mirae Asset Brasil, Jonathan Joo, a venda parcial sinalizou tranquilidade da autoridade monetária em relação ao cenário. “Talvez o mercado tenha esperado uma posição um pouco mais direta para tirar a pressão do câmbio”, observa. “O que deixou claro é que o BC estava confortável com a venda de US$ 500 milhões”, acrescenta Joo.
Influência externa e indicadores no Brasil
No cenário internacional, o índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, fechou em queda de 0,34%, aos 97,948 pontos, após tocar mínima de 97,852 pontos. Ainda assim, operadores avaliaram que o ambiente externo teve impacto limitado sobre o câmbio doméstico.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Comércio divulgou que o Produto Interno Bruto do terceiro trimestre cresceu a uma taxa anualizada de 4,3%, acima das projeções do mercado. O dado, no entanto, não foi suficiente para provocar reações mais intensas no Brasil.
Internamente, o principal destaque foi o IPCA-15 de dezembro, que registrou alta de 0,25% no mês e acumulou avanço de 4,41% em 12 meses, abaixo do teto da meta de inflação. Na avaliação de Joo, o resultado também não impulsionou uma queda mais acentuada do dólar.
Cenário político e agenda à frente
O noticiário político também entrou no radar dos investidores. O cancelamento de uma entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro ao portal Metrópoles contribuiu para reduzir a pressão cambial no período da tarde. “O Bolsonaro ter cancelado a entrevista foi positivo porque existia uma preocupação em, eventualmente, o ex-presidente demonstrar um apoio mais explícito à candidatura do Flávio Bolsonaro, que ainda não é um nome muito forte”, observa.
Com a semana encurtada pelo feriado de Natal, a atenção do mercado deve se voltar para a divulgação dos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, prevista para a quarta-feira, às 10h30, pelo Departamento do Trabalho.
Além disso, com Legislativo e Judiciário em recesso, analistas projetam que temas políticos relevantes só ganhem força no início do próximo ano, incluindo possíveis movimentações ligadas à disputa presidencial e à escolha do próximo presidente do Federal Reserve.

