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Geopolítica

Governo Maduro recua e liberta presos de protestos eleitorais

Medida ocorreu no Natal e envolveu detidos após manifestações que contestaram o resultado da votação presidencial

Ministro da Defesa diz que não há movimentação anormal na fronteira com a Venezuela

O governo da Venezuela liberou 99 pessoas que haviam sido presas durante as manifestações contra a reeleição de Nicolás Maduro. As solturas ocorreram no feriado de Natal e envolveram detidos acusados de participação em atos realizados após a eleição presidencial de 2024.

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Segundo o portal O Globo, cada caso passou por análise individual dentro do sistema de Justiça. As liberações aconteceram em diferentes unidades prisionais do país, incluindo Tocorón, penitenciária de segurança máxima que ficou conhecida por ter sido base do grupo criminoso Tren de Aragua.

Por que essas pessoas estavam presas?

As detenções começaram após a eleição presidencial de 28 de julho de 2024, quando o Conselho Nacional Eleitoral declarou Maduro vencedor para um novo mandato, de 2025 a 2031.

A oposição rejeitou o resultado, alegando fraude, e apontou vitória do ex-embaixador Edmundo González Urrutia, que deixou o país e passou a viver na Espanha. A proclamação do resultado provocou protestos em várias cidades venezuelanas.

Esses atos terminaram com 28 mortos e cerca de 2.400 detenções, de acordo com números oficiais. O governo classificou parte dos manifestantes como responsáveis por violência e incitação ao ódio.

Segundo a Agência Brasil, após semanas de questionamentos, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela ratificou oficialmente a vitória de Maduro em agosto de 2024. A Corte afirmou que os documentos eleitorais analisados coincidiam com os dados registrados pelas urnas eletrônicas.

Mesmo assim, o Conselho Nacional Eleitoral deixou de divulgar os resultados detalhados por mesa de votação, prática comum em eleições anteriores. A oposição declarou que não reconhece a decisão do tribunal e afirma que não teve acesso às atas necessárias para verificar a contagem dos votos.

Desde então, mais de 2 mil pessoas já deixaram a prisão por decisões judiciais ou medidas cautelares, como liberdade condicional.

Quem são alguns dos libertados?

Entre os nomes que ganharam destaque está o da médica Marggie Orozco, de 65 anos. Ela havia sido condenada à pena máxima após enviar uma mensagem de voz crítica ao presidente venezuelano. As acusações incluíam traição à pátria, conspiração e incitação ao ódio.

Organizações de direitos humanos afirmam que muitos libertados ainda precisam comparecer regularmente à Justiça, o que significa que não estão totalmente livres. De acordo com a ONG Foro Penal, a Venezuela ainda mantém mais de 900 presos políticos.

Relação com os Estados Unidos aumenta a pressão

Como já apurado pelo O Brasilianista, as solturas ocorrem em meio a um ambiente de forte atrito entre Caracas e os Estados Unidos. O governo norte-americano mantém sanções econômicas contra a Venezuela e intensificou ações no Caribe, alegando combate ao narcotráfico.

Maduro sustenta que essas operações miram, na prática, o setor petrolífero venezuelano. Recentemente, o governo apresentou um projeto de lei para endurecer punições contra ataques a navios e atos classificados como pirataria marítima, com penas que podem chegar a 20 anos de prisão.

Qual é a influência do Brasil?

Ainda segundo O Brasilianista, em meio à escalada de tensões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma ligação reservada a Maduro no fim de 2025. A conversa não constou na agenda oficial e teve como tema a estabilidade na América do Sul e no Caribe.

O contato ocorreu após um período de distanciamento entre os dois governos, já que o Brasil evitou reconhecer formalmente o resultado da eleição venezuelana.

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