O processo de encerramento do banco ainda não avançou para uma etapa essencial: a entrega da lista completa de clientes e empresas com direito a ressarcimento ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Sem essa relação formal, o fundo não consegue dar início aos pagamentos, o que empurra a devolução dos valores para o próximo ano.
Segundo apuração da CNN Brasil, o atraso impede o avanço da maior operação de ressarcimento já conduzida pelo Fundo Garantidor de Créditos, que deverá devolver cerca de R$ 41 bilhões a aproximadamente 1,6 milhão de pessoas físicas e empresas que mantinham depósitos ou investimentos no banco.
O que é o FGC?
O Fundo Garantidor de Créditos funciona como uma espécie de seguro do sistema bancário. Ele entra em ação quando uma instituição financeira quebra ou é liquidada, garantindo a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, somando todos os produtos de cada cliente.
No caso do Banco Master, o FGC já se preparou financeiramente para fazer os pagamentos. O problema não é falta de recursos, mas sim de informação básica: quem são os credores, quanto cada um tem a receber e em quais produtos o dinheiro estava aplicado.
Por que a lista de credores é indispensável?
Para liberar qualquer valor, o fundo precisa receber do liquidante, nome dado ao profissional que encerra oficialmente as atividades do banco, a lista completa de clientes e valores devidos. Sem esse levantamento técnico, não há como iniciar os depósitos.
De acordo com as regras do próprio FGC, depois de receber a lista, o fundo leva cerca de dois dias úteis para começar os pagamentos. Como o documento ainda não foi enviado e o calendário está no fim do ano, não há prazo operacional para concluir o processo em 2025.
O liquidante do Banco Master foi indicado pelo Banco Central do Brasil e pertence à empresa especializada EFB Regimes Especiais, com atuação anterior em outras liquidações bancárias.
Pressão institucional em meio ao atraso
O atraso nos reembolsos ocorre enquanto o Banco Central enfrenta questionamentos em diferentes frentes. A autarquia terá representantes em uma acareação no STF relacionada ao caso e também precisará prestar esclarecimentos ao Tribunal de Contas da União sobre a condução da liquidação.
A acareação foi marcada pelo Supremo Tribunal Federal para discutir versões conflitantes sobre operações envolvendo o Banco Master, o que ampliou a atenção pública e política sobre o caso.
O que os clientes podem fazer agora?
Mesmo sem o início dos pagamentos, o FGC orienta que os credores façam um cadastro prévio no aplicativo ou no site oficial do fundo.
Esse registro inicial não libera o dinheiro imediatamente, mas agiliza o processo quando a lista oficial for entregue. Somente após a validação dos dados enviados pelo liquidante será possível solicitar o resgate dos valores garantidos.

