Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), voltou ao noticiário nesta sexta-feira (26) após ser detido no Paraguai ao tentar embarcar para El Salvador. A prisão ocorreu em um aeroporto de Assunção e está ligada ao descumprimento de medidas judiciais impostas no Brasil.
Antes do episódio internacional, Vasques já acumulava uma trajetória marcada por ascensão rápida dentro da PRF e forte exposição política, além de responder a ações na Justiça brasileira.
Quem é Silvinei Vasques
Silvinei Vasques nasceu em Ivaiporã, no interior do Paraná, e ingressou na Polícia Rodoviária Federal em 1995. A PRF é o órgão responsável pelo policiamento das rodovias federais, fiscalização de trânsito, combate a crimes nas estradas e apoio a operações nacionais de segurança. As informações são do G1.
Ao longo de 27 anos de carreira, Vasques passou por cargos administrativos e operacionais até alcançar, durante o governo de Jair Bolsonaro, o posto mais alto da corporação: diretor-geral da PRF.
Nesse cargo, ele comandava toda a estrutura nacional da instituição, com poder de definir operações, orientações internas e diretrizes estratégicas.
Após o fim das eleições de 2022, Vasques pediu aposentadoria voluntária, garantindo salário integral, e deixou oficialmente a corporação em dezembro daquele ano.
Atuação fora da PRF após a aposentadoria
Segundo o G1, depois de sair da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José, município da Grande Florianópolis.
O cargo fazia parte da administração municipal e envolvia políticas voltadas a empresas, tecnologia e geração de empregos.
A permanência foi curta. Em dezembro de 2025, ele pediu exoneração do posto logo após a divulgação das decisões judiciais que o condenaram em processos ligados às eleições de 2022.
Uso da estrutura pública em contexto eleitoral
Em uma das ações julgadas pela Justiça Federal, Vasques foi responsabilizado por improbidade administrativa, termo jurídico usado quando um agente público desrespeita os princípios legais do cargo, como neutralidade, legalidade e interesse público.
Segundo a decisão, enquanto dirigia a PRF, ele misturou funções institucionais com posicionamentos políticos. Entre os pontos analisados estiveram:
- aparições públicas com farda e símbolos oficiais em contexto eleitoral;
- manifestações políticas em redes sociais associadas ao cargo;
- participação em eventos institucionais com pedidos explícitos de voto.
Como punição, a Justiça determinou o pagamento de multa superior a R$ 500 mil e impôs restrições ao vínculo dele com o poder público por um período determinado.
Condenação por articulações após as eleições de 2022
Além da esfera cível, Silvinei Vasques também foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e seis meses de prisão, em regime fechado.
A pena está ligada à participação em uma organização que tentou interferir no processo democrático após o segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
De acordo com o entendimento da Corte, Vasques integrou um grupo operacional responsável por ações práticas, incluindo operações da PRF no dia da votação, que dificultaram o deslocamento de eleitores, sobretudo em estados do Nordeste.
Além da prisão, ele teve os direitos políticos suspensos, tornou-se inelegível e foi incluído em uma condenação coletiva que prevê indenização milionária por danos institucionais.
Prisão no exterior e descumprimento de medidas judiciais
Antes da condenação definitiva, Vasques chegou a ficar preso preventivamente em 2023, mas passou a responder ao processo em liberdade, com restrições, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, equipamento que permite à Justiça monitorar a localização de uma pessoa em tempo real.
Segundo as autoridades brasileiras, ele rompeu o dispositivo, deixou o país sem autorização judicial e seguiu para o Paraguai.
Ao tentar embarcar para El Salvador, utilizando um passaporte estrangeiro que não correspondia à sua identidade, foi abordado pelas autoridades locais e detido.

