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Economia

Queda do dólar em 2025 expõe influência internacional e cenário doméstico

Fatores globais e internos mudaram a dinâmica cambial ao longo do ano

Dólar reage a prisão de Nicolás Maduro e declarações de Donald Trump, mas fica perto da estabilidade

O dólar encerra 2025 em queda expressiva frente a diversas moedas, incluindo o real. No Brasil, a moeda norte-americana acumulou desvalorização de 10,29% até o penúltimo pregão do ano, movimento que não se via com essa intensidade desde 2016. O enfraquecimento não foi isolado e refletiu fatores globais e domésticos que alteraram o fluxo de investimentos ao longo do ano, segundo informações do G1.

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O recuo ocorreu em meio a um cenário internacional menos favorável à moeda dos Estados Unidos, combinado a condições internas que sustentaram a valorização do real. Economias emergentes e países desenvolvidos também registraram ganhos cambiais diante do dólar, como a zona do euro, o Japão, a Suíça e o Reino Unido.

Cautela nos EUA e impacto das decisões políticas

Um dos principais vetores da desvalorização esteve ligado à condução da política econômica dos Estados Unidos. Após a eleição de Donald Trump, parte do mercado esperava medidas imediatas mais duras, como tarifas amplas e cortes agressivos de impostos, o que não se confirmou nos primeiros meses do ano.

Com isso, o dólar, que iniciou 2025 em patamar elevado, perdeu força gradualmente ao longo do primeiro trimestre. Mesmo quando o governo americano anunciou novas tarifas de importação em abril, a reação positiva da moeda foi curta.

“Trump começou o ano com mais cautela, promovendo mudanças graduais até o choque tarifário de abril. Isso acabou prejudicando a moeda norte-americana”, afirmou o analista de inteligência de mercado da StoneX, Leonel Mattos.

A adoção de tarifas aumentou a incerteza sobre o desempenho da economia dos EUA e levou investidores a reduzir posições em dólar. Esse ambiente estimulou operações de proteção cambial, ampliando a pressão de venda da moeda no mercado internacional.

Juros americanos no radar dos investidores

Outro fator relevante foi a política monetária dos Estados Unidos. Ao longo de 2025, cresceu a expectativa de cortes na taxa básica de juros pelo Federal Reserve. Embora a primeira redução tenha ocorrido apenas em setembro, o movimento contribuiu para diminuir a atratividade dos ativos americanos.

“Tivemos muita incerteza em relação às políticas do Executivo, além de uma pressão econômica vinda principalmente do mercado de trabalho”, diz o especialista em investimentos da Nomad Bruno Shahini.

Com juros mais baixos, os rendimentos dos títulos do governo dos EUA ficaram menos atrativos. Isso incentivou a migração de recursos para mercados emergentes, beneficiando moedas como o real e impulsionando bolsas locais.

Força do real e fatores internos

No Brasil, elementos domésticos reforçaram o movimento de valorização cambial. A taxa básica de juros permaneceu em níveis elevados, os mais altos em duas décadas, atraindo capital estrangeiro em busca de retorno.

“O Brasil tem uma das maiores taxas de juros reais do mundo. E isso atrai recursos, ou não deixa sair”, explica o diretor de tesouraria do Banco Travelex, Marcos Weigt.

A atuação do Banco Central também ajudou a reduzir incertezas. Sob a presidência de Gabriel Galípolo, a instituição manteve o discurso de compromisso com a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional.

“O Galípolo está seguindo bem as metas de inflação e está até sendo mais duro do que o mercado imaginava”, diz Weigt.

Além disso, a percepção sobre as contas públicas ficou menos negativa ao longo do ano. Projeções oficiais passaram a indicar melhora na arrecadação e contenção de despesas, o que contribuiu para estabilizar o risco percebido pelos investidores.

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