Campanhas políticas no Brasil sempre foram marcadas por frases e jingles que ultrapassaram o período eleitoral e entraram para o imaginário popular. De slogans empolgantes a declarações controversas, algumas dessas expressões se tornaram símbolo de épocas e ajudaram a moldar a imagem dos candidatos diante do eleitorado.
Desde a redemocratização, as campanhas presidenciais têm apostado em mensagens curtas e marcantes para conquistar a atenção do público. Segundo O Globo, o uso de bordões e músicas é uma das estratégias mais antigas e eficazes do marketing político. Eles criam identificação imediata e ajudam a fixar o nome do candidato na memória coletiva. Confira agora quatro bordões que marcaram época e se tornaram parte da história das eleições no Brasil.
1. Meu nome é Enéas
Outro nome que marcou época foi Enéas Carneiro. Segundo O Globo, o médico e político do Prona aproveitou seus poucos segundos de propaganda eleitoral em 1989 para lançar uma das frases mais icônicas da política nacional: “Meu nome é Enéas”. A fala curta e direta, combinada com seu tom enérgico e aparência inconfundível, transformou o candidato em um fenômeno midiático.
Sua proposta de fabricar uma bomba atômica, embora polêmica, reforçava sua imagem de alguém que falava o que pensava, sem medo de críticas. Enéas se tornaria, anos depois, deputado federal com votação recorde em São Paulo, mostrando o poder de uma mensagem bem direcionada.
2. Lulalá
Na disputa presidencial de 1989, Luiz Inácio Lula da Silva apostou em uma campanha de forte apelo popular. O jingle “Lulalá, brilha uma estrela” se tornou um hino entre os apoiadores do Partido dos Trabalhadores. De acordo com O Globo, a música ajudou a associar a imagem do candidato à esperança de mudança e à ideia de renovação política após anos de ditadura militar.
Mesmo sem vencer naquela eleição, Lula consolidou uma marca que seria usada em campanhas posteriores, tornando o “Lulalá” sinônimo de entusiasmo popular e resistência política para o seu eleitorado.
3. Não sou coveiro
Bolsonaro popularizou o lema “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, que se tornou uma das frases mais repetidas por seus apoiadores e símbolo de sua base política.
Já em tempos recentes, as falas do ex-presidente Jair Bolsonaro se tornaram parte central de sua identidade política. De acordo com a BBC News Brasil, expressões como “E daí?”, dita ao ser questionado sobre mortes por covid-19, e “não sou coveiro” marcaram seu governo e as campanhas de reeleição.
Essas declarações tiveram efeitos distintos entre os eleitores: enquanto parte do público via nelas um sinal de sinceridade e desprezo pelo “politicamente correto”, outra parcela se sentiu ofendida e decepcionada com o tom insensível. Pesquisas citadas pela BBC indicam que, para muitos, essas frases foram o ponto de ruptura que levou ao arrependimento do voto.
4. Ey, Ey, Eymael
Clássico entre os jingles políticos, o “Ey, Ey, Eymael, o democrata cristão” é um dos bordões mais duradouros da história eleitoral brasileira. De acordo com O Globo, o jingle foi criado em 1985 para a campanha de José Maria Eymael à prefeitura de São Paulo e, mesmo após quase quatro décadas, segue sendo lembrado em cada nova eleição.
A música simples e contagiante transformou o candidato em um símbolo da persistência política e mostrou como um bom bordão pode garantir reconhecimento por gerações, mesmo sem grandes vitórias nas urnas.

