O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou que o governo venezuelano está disposto a iniciar negociações diretas com os Estados Unidos para tratar de temas considerados sensíveis, como petróleo, migração e combate ao tráfico de drogas. A fala ocorre em um momento de forte pressão internacional e de ações militares americanas na região.
Em entrevista concedida na última quinta-feira (01), Maduro afirmou: “Se [os Estados Unidos] quiserem conversar seriamente sobre um acordo de combate ao narcotráfico, estamos prontos”. O presidente também mencionou a possibilidade de firmar entendimentos na área energética e migratória, incluindo a retomada de voos de deportação. “Onde e como eles quiserem”, declarou.
De acordo com o G1, a sinalização acontece em um contexto de escalada de tensões entre os dois países, marcado por operações militares e sanções econômicas.
Abertura para acordos estratégicos
Além do combate ao narcotráfico, Maduro indicou interesse em um acordo voltado ao setor de petróleo, com espaço para investimentos de empresas americanas. Ele citou diretamente a Chevron, única grande petrolífera dos Estados Unidos autorizada a exportar petróleo bruto venezuelano para o mercado americano.
A Venezuela concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, fator que mantém o país no centro das disputas geopolíticas globais. O tema energético tem sido apontado como um dos principais pontos de atrito e, ao mesmo tempo, de possível aproximação entre Caracas e Washington.
As declarações de Maduro foram registradas no mesmo dia em que forças militares dos Estados Unidos realizaram novos bombardeios contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas na região.
Escalada militar e pressão internacional
A movimentação militar recente ocorre poucos dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmar a realização do primeiro ataque americano em solo venezuelano. A ação integra uma série de iniciativas adotadas por Washington desde o segundo semestre.
Em agosto, os Estados Unidos aumentaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro e reforçaram a presença militar no Mar do Caribe. Inicialmente, a Casa Branca justificou a operação como parte do combate ao narcotráfico internacional.
Com o passar do tempo, no entanto, autoridades americanas passaram a indicar, sob anonimato, que a estratégia teria como objetivo final enfraquecer e derrubar o governo venezuelano.
Contato direto e interesses econômicos
Em novembro, Trump e Maduro chegaram a manter uma conversa telefônica. Segundo a imprensa americana, o diálogo não resultou em avanços concretos, já que o presidente venezuelano teria resistido a qualquer possibilidade de deixar o poder.
Reportagens do jornal The New York Times apontam que os Estados Unidos demonstram interesse direto nas reservas de petróleo da Venezuela, consideradas estratégicas. Nas últimas semanas, militares americanos apreenderam navios petroleiros venezuelanos e o governo Trump determinou bloqueios a embarcações alvo de sanções, além de acusar Maduro de prejudicar interesses americanos.

