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Geopolítica

Supremo da Venezuela chancela Delcy Rodríguez no comando do país

Decisão foi tomada menos de 24 horas depois da derrubada de Maduro pelos EUA

Supremo da Venezuela chancela Delcy Rodríguez no comando do país

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela oficializou neste sábado (3) a posse de Delcy Rodríguez como presidente do país. A decisão foi tomada menos de 24 horas após os Estados Unidos invadirem o território venezuelano para capturar Nicolás Maduro.

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A decisão do TSJ foi fundamentada na tese de “ausência forçada” do chefe de Estado. A Câmara Constitucional interpretou que a captura de Maduro em solo venezuelano por tropas estrangeiras configura uma impossibilidade material e temporária de exercício das funções presidenciais. Com base nos artigos 234 e 239 da Constituição da Venezuela, o tribunal determinou que o comando deve ser transferido imediatamente à vice-presidência para garantir a segurança nacional e a ordem jurídica.

A posse de Delcy como presidente da Venezuela foi provocada pela invasão dos EUA ao país neste sábado (3). A operação mobilizou cerca de 150 aeronaves e forças de elite dos EUA para atingir alvos estratégicos em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que a ação visava o cumprimento de mandados de prisão pendentes desde 2020. A ofensiva resultou em ao menos 40 mortes, segundo o jornal The New York Times. Trump também declarou que os Estados Unidos monitorarão uma “transição segura” no país sul-americano.

O guardião do Chavismo

A celeridade do TSJ em empossar Delcy Rodríguez é o ápice de uma estratégia que remonta ao início da era Hugo Chávez. Desde a substituição da antiga Corte Suprema pelo atual TSJ em 1999, o Judiciário venezuelano deixou de atuar como um poder independente para se transformar no principal arquiteto jurídico da permanência de ditadores no poder.

Ao longo das últimas duas décadas, o tribunal acumulou decisões que moldaram a política venezuelana ao gosto do Executivo. Em 2013, o TSJ permitiu que o governo de Hugo Chávez continuasse sem uma nova posse formal, mesmo com o presidente incapacitado em Cuba. Na época, o tribunal criou a tese da “continuidade administrativa”, a mesma lógica de preservação do regime utilizada agora para validar Delcy.

Entre 2016 e 2017, após a oposição conquistar a maioria na Assembleia Nacional venezuelana, o TSJ declarou o parlamento em “desacato”. A corte então assumiu as funções legislativas para si, permitindo que Maduro governasse por decretos e aprovasse orçamentos e contratos petrolíferos sem fiscalização parlamentar.

Antes de perder o controle da Assembleia, em 2015, o chavismo nomeou 13 magistrados principais e 21 suplentes para garantir que o TSJ permanecesse sob controle ideológico. Nove anos depois, o tribunal chancelou o resultado das eleições presidenciais sem a apresentação das atas detalhadas, bloqueando qualquer contestação da oposição e consolidando a vitória ilegal de Maduro.